[nem sempre um ponto, é final]

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25 de julho de 2009

Continuação daqui;

Assim que vi a data impressa no túmulo branco, arregalei os olhos em puro susto. Não havia nada além do nome e data de nascimento. Embranqueci. À minha volta, ouvia apenas as lágrimas que escorriam pelo rosto de Clara, silenciando toda a dor de um amor que não morrera e a atormentava, há quase um ano. A meu ver, tudo era injusto! Aquilo que ainda vive não deve ser enterrado, é contra qualquer tipo de natureza aceitável! Respirei fundo, recordando como falar:

— Mas... Mas... — Aproximei-me sorrateiramente de Clara, encostando minhas mãos em seus ombros, fazendo-a virar. — Mas ele está vivo... — Sussurrei.


Ela apenas assentiu, sem emitir som algum. Sua dor ia calando-se à medida que os olhos iam cansando-se de chover. Por trás de toda a agonia eu podia ver que ao fundo, bem ao fundo, havia um fiapo de esperança, fiapo, esse, que Clara se negava a agarrar, que fugia de tudo aquilo que ela devia aceitar. Ela teve que enterrá-lo, mas matá-lo a consumia. Muito.

— O que você está esperando, Clara? — Exclamei, a voz uma oitava acima. O que ela estava pensando? Como ela podia suportar aquilo? Que sentido tinha? — Ele está vivo! Não o sufoque, Clara. Não sufoque aquilo que não quer, e não deve, morrer!

Clara me olhou, suplicante. O brilho de esperança daquilo que queria fazer brigava com a tristeza iminente que ela acreditava ter que carregar. Vida afora. Não, ela não merecia os pesadelos, ela não era merecedora de todo esse sofrimento. Era desnecessário! Eu precisava fazer alguma coisa, precisava calar a agonia de Clara, devolver-lhe a vida, devolver-lhe o amor que ela não fora capaz de matar, entregá-lo à ela, desenterrá-lo. Faria o possível para ver o riso frouxo e fácil de Clara outra vez.



Continua das palavras da Mari,
e finaliza com as letras doces da Pâm.

comentários pelo facebook:

15 comentários:

  1. touching!

    ; )

    tem post novo la no AT, blz? Bjssss

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  2. Delicia escrever essa felicidade de Clara. Sinto como se tivesse feito minha melhor amiga feliz! Tá postado!
    Bjo!

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  3. Maria, fiquei encantada imaginando a cena. Adorei!
    bjo

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  4. Tomara que você tenha conseguido estregá-lo à ela outra vez! :)
    Lindo post!

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  5. O texto tá muito bom Fê! Como sempre... heheheheh

    Mas não se concordo com tudo isso... Quem sabe um conversa na real pra compartilhr opiniões?

    Beijo

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  6. Esquece a segunda parte, o texto da Marina completou o que eu penso!

    ;)

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  7. Alguém diga à Clara que o amor vale mesmo a pena!

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  8. Choreeeeeeei!
    Fico lindo!
    Bjinhos

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  9. Ameiiii. Li cada palavra do começo ao fim com o coração na garganta!
    ameiii

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  10. Ah, o amor.
    Tudo é dor. Os sentimentos doem quando as pessoas não os aceitam. O amor foi enterrado, mas Clara aceitava?
    Muitas coisas permanecem vivas em nós, mesmo insconcientemente.

    O amor vivia nela!

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  11. Adorei você ter continuado o conto.
    Vou ler o das meninas.

    Beijo, moça.


    P.s: teu Url tá dando erro de novo, não consigo te adicionar.

    :*

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  12. Que angústia essa da amiga de Clara.
    Li a primeira parte e estou doida pra ler a continuação.

    Beijos

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  13. Ah, esquece a estorinha do Url. Foi erro do blogspot mesmo. Depois de um tempo, eu consegui.


    Beijo
    :*

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  14. Que romantico. Dramatico.
    Triste. Mas bom para cair na real.
    A felicidade se vive aqui, na Terra, nao nos contos.


    Minha casa é o Animal Mineral e Pessoal. Visite.

    http://animipe.blogspot.com/

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