ABFT: Como eu era antes de você

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27 de junho de 2014

Antes de mais nada, vamos à uma consideração: mês passado comecei a ler "Ame o que é seu" e por motivos muito particulares, não quis terminar de ler (embora tenha me desafiado esses dias e lido até o fim, mas enfim, não quero mesmo falar desse livro).

Ano passado, quando começamos a criar a lista do projeto #ABFT, escolhemos "Como eu era antes de você" por ser o mês dos namorados, mês cor de rosa, frufru, lovezinho e tudo mais. Após terminar de ler o livro, concluí SIM que julgamos o livro pela capa. A capa É linda, é rosa, é frufru, é lovezinha. Esse é daqueles livros que você vê na estante e quer levar para casa, que seja de enfeite. Mas, apesar do livro não ser tão "dia dos namorados" quanto imaginávamos, ele é tão (ou mais) lindo quanto a capa.



"Lou Clark sabe uma porção de coisas. Ela sabe quantos passos separam sua casa do ponto de ônibus. Sabe que adora trabalhar como atendente em um café e sabe que provavelmente não ama seu namorado, Patrick. O que Lou não sabe é que está prestes a perder o emprego, e que isso a brigará a repensar toda a sua vida.
Will Traynor, por sua vez, sabe que o acidente com a motocicleta tirou dele a vontade de viver. Ele sabe que o mundo agora parece pequeno e sem graça, e sabe exatamente como vai dar um fim a tudo isso. O que Will não sabe é que a chegada de Lou vai trazer de volta a cor à sua vida. E nenhum deles desconfia de que esse encontro irá mudar para sempre a história dos dois"



Louise é uma garota de vinte e seis anos que não tem muita ambição na vida. Ela namora Patrick, o personagem mais detestável desse livro, e trabalha num Café, servindo mesas e conversando com as pessoas. Lou sempre trabalhou ali e gosta do que faz, gosta de observar as pessoas e ouvir as histórias que ela tem para contar. De todos os clientes do café, a senhorinha de cabelos brancos foi quem me chamou atenção, óbvio, por causa do apelido fofofofofofofo que a Lou deu para ela: "Senhora Dente-de-leão".
Gostava da Sra. Dente-de-leão, apelidada assim por causa da cabeleira branca, que comia ovo com fritas de segunda a a quinta-feira e se sentava para ler os jornais de distribuição gratuita, bebendo duas xícaras de chá de um jeito único. (pág. 14)
Bom, as coisas começam a mudar para a Lou quando o dono do Café decide fechar o local: aos vinte e seis anos, Lou está desempregada e sem um pingo de experiência em seu currículo além de servir chá e café. Como mora com os pais e ajuda no custo de casa, desde que sua irmã mais nova engravidou e parou de trabalhar, Lou corre atrás de novos empregos, mas não se dá bem em nenhum deles. A parte da procura de emprego é um pouco chata e a própria personagem fica um pouco chata, mas (felizmente!) dura poucas páginas.  A história se passa numa cidadezinha turística perto de Londres, então as opções eram mesmo poucas. Quando não restavam mais esperanças, surge uma vaga de cuidadora e, mesmo a contragosto, Lou se candidata.  Sra Trayner não simpatiza muito com Lou, mas acaba a contratando para "cuidar" de seu filho, Will.

É aqui que a história começa a ficar interessante.

Will é um homem bonito de trinta e poucos anos e está tetraplégico há dois, desde que foi atropelado por uma moto em altíssima velocidade. Seu estado é crítico e seu humor é péssimo. Não o julgo, visto que ele era um homem bonitão, com um emprego dos bons e cheio de vida, daqueles que gostavam de escalar montanhas e pular de paraquedas. Quando conhece Lou, ele a detesta e tenta tornar o trabalho dela o menos prazeroso possível. Will é rude e asqueroso e praticamente só se dá bem com seu fisioterapeuta, Nathan, personagem que gostei muito.
Eles (seus olhos cinzentos) levavam o olhar vazio de alguém que está sempre alguns passos afastados do mundo a seu redor. Às vezes, eu me perguntava se aquilo não era um mecanismo de defesa de Will, já que a única maneira que encontrou de lidar com sua vida foi fingir que não era com ele que aquelas coisas estavam acontecendo. (pág. 45)

Com o decorrer dos dias, Lou consegue quebrar a barreira entre ela e Will e os dois começam a se entender. A comoção de Lou para Will muda quando ela, sem querer, ouve uma conversa da Sra Traynor com a irmã de Will. Depois da conversa, Louise entende para que foi contratada e sente-se mal por isso. Obviamente que não vou contar o que foi ouvido.
— Sabe, você só pode ajudar alguém que aceita ajuda. (pág. 50)
A partir daí, Lou tenta tornar a vida difícil do Will um pouco mais agradável. Apesar de todos os pesares, a história fica linda e acontecem cenas lindas, como quando Will decide ir ao casamento de sua ex com seu melhor amigo (sim, tem isso) e ele "dança" uma música lenta com a Lou em seu colo. Ou quando ele volta do teatro, onde ouviram um concerto, e ele pede para a Lou esperar um pouco antes de descer: "só quero pensar que sou um cara normal sentado ao lado de uma mulher bonita". Ou quando Will pega o champanhe de trás da cadeira e brinda ao aniversário da Louise, de surpresa. Ou quando Lou consegue cortar os cabelos e aparar a barba do Will. Ou quando eles passeiam pelo labirinto e Lou conta suas fraquezas. Ou quando finalmente acontece a viagem para as Ilhas Maurício (acompanhadas de Nathan, claro).

A viagem termina um pouco conturbada e, a partir daí, comecei a chorar. Lou para de trabalhar para Will. Chora o tempo inteiro e sofre o tempo inteiro (justificável). Aí Will chama por ela e, contra sua vontade, contra a vontade de seus pais, Lou viaja para a Suíça e conversa com Will e então as lágrimas rolam e você soluça.
— E esses foram — falei — os melhores seis meses da minha vida.
Fez-se um longo silêncio.
— Engraçado, Clark, os meus também.
Então meu coração se partiu. (pág. 311)
O livro termina com Lou em Paris, abrindo uma carta do Will.
(...)Estou lhe dando isso porque poucas coisas ainda me fazem feliz, e você é uma delas (...)Durante algum tempo, você vai se sentir pouco à vontade em seu novo mundo. É sempre estranho ser arrancada de sua zona de conforto (...) Apenas viva bem.
Apenas viva.
Com amor,
Will.

Assim como outros livros que li esse ano, esse foi daqueles que me fez pensar na própria vida. Lou era acomodada na vida e Will tirou isso dela, Will tornou ela uma mulher melhor, uma mulher com expectativas, com ambição. Lou passa a ser autora da própria história, ao invés de figurante da própria vida. E isso nos faz pensar, isso nos faz querer ser melhor, nos faz querer sair da zona de conforto e ir atrás dos ideais.

Pra mim, o livro foi lindo, lindo, lindo! Ressaca literária total!
Confere também as resenhas da Maya (aqui) e da Brunna (aqui), e veja se elas ficaram com saudades do livro, tanto quanto eu.

comentários pelo facebook:

9 comentários:

  1. (acredita que li o seu título assim ABNT hahaha Acho que monografia já está me enlouquecendo mesmo)
    Já li o livro. A minha primeira interpretação dele eu não curti muito. Mas o livro não é uma história fácil de digerir. Vivo me relembrando. E comecei a interpretar o quanto a história é incrivel e linda. Quero reler.

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    1. hahahah
      ABNT é trash, Kami. Na monografia nem me preocupei tanto, mas agora trabalho com isso e vejo ABNT todo dia hahha. Te entendo :P

      Releia. O livro é lindo!

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  2. Ao passar pela net encontrei seu blog, estive a ver e ler alguma postagens
    é um bom blog, daqueles que gostamos de visitar, e ficar mais um pouco.
    Tenho um blog, Peregrino E servo, se desejar fazer uma visita.
    Ficarei radiante se desejar fazer parte dos meus amigos virtuais, claro que irei retribuir seguido
    também o seu blog. Minhas saudações.
    António Batalha.

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  3. Esse livro de fato tem uma campa muito linda, cara! Muito mesmo!
    Eu gosto de romances, mas ultimamente estou curtindo uma coisa mais policial, algo mais eletrizante. Só que tipo... não acharia nada ruim ganhar esse livro aí. (risos)

    Beijo, MF.

    Sacudindo Palavras

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    1. Olha só essa ericota pedichona! hahah
      Vou ver se compro e te dou Eriquinha ;*

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  4. Pausa para comentar: "Sra. Dente de Leão"? Preciso ter e ler e amar este livro só por esta personagem. (vou voltar a ler)

    Apenas MORRENDO de vontade de ler.
    As vezes me acho muito acomodada também - quase todo dia, pra falar a verdade. Talvez esteja na hora de ler um livro assim e sair do lugar. :/

    Adoro suas resenhas Sis.

    E quero saber do livro do mÊs passado, o porque dele ter sido deixado de lado e não querer falar dele. Curiosa porque tô com um livro da autora pra ler, que mamãe amou.

    Beijo no core.

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    1. O livro é lindo, Nana! Fiquei com uma ressaca literária infinita depois que li ele e, confesso, que dei uma corrigida na acomodação depois do 'fim". É daqueles livros que faz pensar (muito!) sabe?

      O livro do mês passado é bom! Só que a história tinha umas similaridades gritantes que me assustaram e eu fiquei com "medo" de ler. Mas li, gostei e indico. É um bom livro também.

      Outro beijo n'ocê ♥

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  5. Tua resenha tá show. Pega a primeira que fez aqui, e compara com essa. Teu desenvolvimento tá INCRÍVEL. Tu já fazia uma resenha legal, mas agora tu conseguiu te superar MUITO. Olha, duvido nada de em breve estarás com parcerias de editoras! hahaha.. Gostei muito MEEEEEEEEEEEEEEESMO!

    Amei o livro. Nossa, como amei! <3 <3 E entendo completamente todos os atos do Will. Eu seria como ele. Certeza. E iria até o fim como ele, talvez. E que sorte dele ter encontrado a Lou. E que sorte dela ter encontrado o Will (chupa Patrick).

    Tô louca pelo Cilada. VEM HARLAN COBEN!

    Beijos.

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    1. Aaaaaaaaaai Minion,
      sonho meu ter parcerias *-*

      PS: sorry, já li Cilada hahah
      Mas vou reler pra fazer a resenha =)

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