falta espaço.

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4 de maio de 2015


— Hei, garota, me explica uma coisa? Onde foi que te perdi?

— Lembra aquele dia que fui embora? Depois de muita lágrima rolar, de muita palavra escapar, eu saí porta afora e ali, então, já era.

— Lembro disso, claro que lembro. Cada pedaço daquela despedida ainda pulsa na minha retina, sempre que fecho os olhos. Aquela tua partida é minha maior insônia. Mas eu queria saber antes disso. O que te motivou a ir embora?


— Sei lá, boy. Uma montoeira de coisa. Num dia estava tudo bem, n'outro dia eu só estava cansada de mendigar amores, Aí decidi que era dado o momento de cortas os tês e pingar os is e foi exatamente isso que fiz. Expus meu coração inteiro pra você, estendido mal embrulhado num pacote de pão e, nas entrelinhas, naquilo que não disse, estava implorando para que você pegasse meu coração e cuidasse dele como se fosse teu. Porque era. Mas você nada fez, sabe? Ficou inflado num ego maior que a cidade inteira. Então pra mim bastou. Eu peguei o coração amarrotado, botei dentro do peito e saí. Era o melhor que podia fazer. Pelo menos pareceu certo naquela hora.

— Por que naquela hora? Você se arrependeu de ter ido? Sei lá garota, acho que agora gostaria muito de te ouvir dizer que houve um arrependimento bruto de ter partido. Que você me olhasse com aquela ternura nos olhos, cheia de segundas intenções, e dissesse que está tudo bem agora, que a gente 'tá de novo nesse mundo para somar, não para dividir...

— Vê a merda, garoto? Agora é você quem quer que eu volte, mas você nunca se deu conta de quão doloroso e difícil foi ter partido. Eu parti meu coração em mil pedaços quando engoli o amor próprio. Simplesmente não cabia eu e você no mesmo espaço, porque você é espaçoso demais. Você não sabe, mas quando fechei aquela porta e te deixei parado às minhas costas, eu escorri pelas paredes e chorei naquele corredor pequeno e vazio, com os ouvidos atentos para qualquer sinal possível de que você estava vindo atrás de mim. Os nós dos meus dedos ficaram brancos tamanha força que fazia nos dedos cruzados. Mas só houve um silêncio ensurdecedor. Você não veio atrás de mim, porque teu orgulho sempre foi maior. E aí eu fui embora querendo ficar, porque simplesmente não havia espaço para nós dois e torci para que você chegasse para o lado, dizendo que cabia nós dois e ainda me dói um bom bocado pensar que você não moveu uma vírgula pela gente. E foi aí, exatamente aí, que você me perdeu.

— Mas e agora? Estou aqui, querendo entender como foi que te perdi e querendo arrumar a bagunça toda. Confesso que te odiei por muito tempo, porque você não tinha o direito de ir embora, porque você não deveria ter saído daquela forma, mas com o tempo entendi que você foi porque te perdi e fiquei te procurando um tempão para tentar conversar e resolver o que nem deveria ter estragado..

— Shiu, não diz nada não, boy. Agora eu que inflei demais. E mesmo você implorando, não tem espaço pra você aqui dentro.

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12 comentários:

  1. " mas quando fechei aquela porta e te deixei parado às minhas costas, eu escorrei e chorei naquele corredor pequeno e vazio, com os ouvidos atentos para qualquer sinal possível de que você estava vindo atrás de mim. "

    Preciso dizer aqui do que me lembrei com esse trecho especificamente? Não né?
    E doeu lembrar de certa despedida, doeu sentir. Mas ao mesmo tempo que dói, alivia, não sei explicar de onde vem esse alívio quando aqui dentro ainda existe amor.
    Talvez seja por acreditar que a vida quis assim, quis separar. Agora fora o que senti e lembrei, sobre o texto em geral.
    Mafê do céu! Cê têm conseguido escrever textos todos carregados de sentimentos e os fazem parecer reais, como algo que te aconteceu. A literatura nos permite isso, né?
    Eu imaginei cada cena descrita, cada detalhe. Gosto de quando um texto conversa com o leitor.

    Beijos gata! ♥

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    1. Acredito que todos temos uma despedidas dessas em algum lugar da história. É típico do ser humano esses ires e vires, então somos todos meio iguais sempre.

      Fico feliz de saber que um pouco da literatura que escrevo aqui escapa pro lado de lá e toca, de alguma forma, as pessoas ♥ e isso que move a continuar sempre!


      Beijocas

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  2. Amar é nunca entender. Os caminhos tomados soam mistérios, mas é assim, nunca sabermos o que nos move, mas mesmo assim partirmos. O coração sabe... E ele nos empurra. Não saber nos leva a errar ou acertar, e o grande prazer em viver está nessa aprendizagem diária...

    Beijo Fê!!!

    Saudade!!

    ps: ando tão ocupado, mas irei atualizar devagarzinho meu blog. Se puder aparecer por lá rs Bjo!

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    1. o amor consegue ser quase uma piada, né? daquelas de super mal gosto. A pessoa ama, ama, ama e quando resolve desamar, a pessoa que não amava resolve amar. Se todas as pessoas amassem ao mesmo tempo, o mundo seria um lugar mais feliz.


      Fico feliz que esteja voltando. Passarei 'para um café' sem dúvidas ♥

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  3. Eu amei esse texto.Faz eu pensar que alguns amores nos desgastam né?E quando começa a entrar nesse estágio, é porque o sentimento começa a virar..uma rotina nada boa.Ao mesmo tenmpo em que dói pra caramba porque ainda amamos aquela pessoa, parece que um caminhão sai das nossas costas né?A liberdade é tão boa quanto o amor.

    Amei :)

    beeijos ^^
    http://carolhermanas.blogspot.com.br/

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    1. Carol, eu poderia citar aqui o mesmo que disse pro Alê ali em cima: o amor é uma piada, dessas de mal gosto. E aprender a se amar acima de todas as outras coisas é um baaaaaaaita desafio.

      Obrigada pela visita!!
      Beijos, beijos, beijos.

      :*

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  4. Tão parecido com tantas histórias que vemos por ai... com as nossas próprias...
    Sempre arrasando, Fê ♥

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    1. acho que todos passaremos por isso algum momento dessa vida.
      Obrigada pelo carinho de sempre "Ana". ♥

      Beijocas

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  5. "Agora eu que inflei demais." É tão bom quando isso acontece e a gente consegue olhar mais pra si, pensar mais em si próprio, quando despedidas assim acontecem. E essas despedidas, por mais dolorosas que sejam, nos permitem renascer as vezes de uma forma tão bela, que hoje eu mesma até agradeço quando volta e meia algo assim acontece! Amei teu texto! :*

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    1. Né? A gente precisa sempre sempre sempre sempre se amar primeiro. Se sobrar espaço, a gente ama mais. Se faltar espaço, então é porque não vai funcionar.

      Obrigada pela visita Adri ♥

      Beijocas.

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