amores [im]perfeitos

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6 de outubro de 2015


Faz tempo, muito tempo, que eu não narro aquele amor bonito por aqui. Fiquei vasculhando textos antigos e descobri tão pouco de mim — da gente — nas entrelinhas daquilo que foi escrito, que pensei nos diversos motivos de ter parado de escrever sobre o amor bonito aqui. Eu senti falta da leveza que tinha nas palavras que te escrevia e fiquei remoendo linhas antigas e me vendo ali. Nos vendo ali. Era tão bonito tudo que te escrevia. Ainda é bonito tudo que a gente sente, acredito, mas não entendo porque nosso sentimento não vira mais poesia.


Sei lá, acho que fiquei descrente. A vida veio me forçando a ser gente e encarar os problemas de frente. E eu fui ficando um pouco cética e fria. Distante. Afastei-me de mim e, consequentemente, nos afastei da gente. Eu me escondia em qualquer história mal contada, eu me via em qualquer linha mal narrada e fui qualquer um desses personagens toscos, porque eu quis ser tudo — menos eu mesma.

(...)
Esses dias eu fingi dormir, porque não queria que você visse meus olhos vermelhos de tanto chorar. Quis te poupar as perguntas. E quis me poupar das respostas, porque eu não sabia bem o que responder. Então controlei a respiração e fiquei miúda, esperando você se ajeitar debaixo das cobertas. Aí você veio, me abraçou pelas costas, deixou um beijinho de cerveja no meio dos meus cabelos loiros e me apertou contra si, ignorando o fato de que — teoricamente — eu estava dormindo. Ali eu me desfiz, mais minúscula do que nunca, mais fraca do que sempre.

E tão tua. E tão a gente, que fiquei pensando porquê faz tempo, muito tempo, que eu não narro aquele amor bonito por aqui.

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4 comentários:

  1. Show de bola! Texto leve, perfeito; aquele que nos faz viajar no que a pessoa está narrando.

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  2. Show de bola! Texto leve, perfeito; aquele que nos faz viajar no que a pessoa está narrando.

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  3. Ain gente, quem ficou minusculinha aqui fui eu.
    Fazia tempo que a Letra A não era marcada, mas nem tudo que é verdadeiro e belo precisa ser dito sempre. Mas que bom que disse, que voltou a dizer, porque faz bem procê e pra gente também, que do lado de cá da telinha, acompanha e torce tanto.

    Loviu, Big Sis.
    So, so, so much. ♥

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  4. Owm Fê... Fazia tempo que não passava por aqui. Mas passeando pelo face, vi o título e me chamou a atenção. Lindo demais esse texto. Fala de uma amor que pode não estar virando poesia concreta, mas é poético na vida.
    Essas palavras simples mas tão cheias de sentido são puro amor, sabe? Dá vontade de abraçar quem escreve e agradecer por inspirar. Porque é assim que estou me sentindo, inspirada.
    Beijos em você, e que haja sempre essa simplicidade nas linhas e entrelinhas, no amor, na poesia e na vida.

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