constelação

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5 de outubro de 2016

mafe-probst

Apontou o dedo para o céu, desacreditando em todas as superstições.

— Lá — disse ela. — Tenho certeza que é aquela ali — E suspira. O orvalho escorrendo pela pétala de sua face, um sorriso tímido no canto da boca e o coração mudo no peito. — Você não vê? — perguntou num sussurro, como se querendo que a estrela fosse só dela. Imaginação.
— Vejo — respondeu, — é a que mais brilha, depois daquela estrela que é planeta.
— É.

E fizeram silêncio, deitados na grama úmida, debaixo daquele pessegueiro já florido pela primavera. Um grilo embalava a noite, perdido no tempo de cricrilar.
— Não devia ter grilos — disse ela, — não já.
— É.

E outro tanto de quietude, para ouvir o grilo cantar.
— Ele gostava dos grilos.
— Gostava?
— É. — afirmou ela — Dizia ele que a sorte dos grilos é ter o violão nas pernas.
— Típico. — sorriu com tristeza nos olho, saudade inundando peito. Calou o peito para ouvir o violão arranhar.

De olhos arregalados para o teto do mundo, não viam sequer outras estrelas. Estavam focados, atentos, conversando em pensamento com aquele pontinho brilhante.
— Viu?
— Vi.

Até o grilo parou de tocar. Sem querer, deram os dedos. Dedo mindinho enrolado n’outro dedo mindinho. Corações audíveis de estourar o tímpano.
— Piscou, não piscou?
— É.

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1 comentários:

  1. Owt! Estava com saudades de ler tuas linhas cheinhas de amor e carinho.
    Lindo.

    Beijos
    <3

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