A gratidão que ela sente por lembrar das amigas que ela tem

|

21 de março de 2017


Hoje ela acordou cedo, fez o café e olhou a paisagem catastrófica da cidade, passando pela tela da janela da varanda dela. Suspirou. Ainda era cedo. Tinha tempo para boas lembranças. Tempos atrás ela escutou de alguém que lembranças ruins não devem ser tomadas com café da manhã. Melhor evitar.

Lembrou da escola. Do colégio. Das amizades que fez. Do afunilamento das suas relações dos 15 até aos 18 anos. Lembrou da sua formatura e de como as meninas estavam diferentes. Lindas, maduras. De como se divertiram e se abraçaram naquele dia. Suas vitórias sempre tiveram aquele incremento de torcida e verdade.

Eram duas. No máximo três. E algumas que não se encaixavam na sinceridade que ela gostava. Mas que permaneciam porque, às vezes, é bom ter por perto aquele tipo de pessoa que ela não gostaria de ser. Só pra lembrar. Suas amigas eram sua fonte de energia. Seu calor humano. Aquele abraço de fora de casa, sem ser família, mas que tinha sangue correndo nas veias da alma. Por isso eram tão fortes, como se fossem nascidas da mesma barriga.

Sorriu. E gargalhou ao lembrar das histórias loucas. Histórias de dores, sofrimentos e amores que ninguém poderia saber, só elas. Que estão guardadas e trancafiadas naquele sentimento de laço. Até ali, ela tinha conhecido muita gente. Estudos, trabalhos, momentos de descontração. Mas, nada se compara ao que elas vivem até hoje. Se falam todos os dias. Conversam, riem, choram juntas. Pelo Whatsapp, o tempo todo. Já que a presença física vai distanciando com o passar da vida e a demanda de tarefas, a presença afetiva só se fortalece.

Sentiu sorte. Gratidão. Poucas, mas boas amigas. Não queria, nem desejaria mais nada além daquilo que ela tem. Ela conhece histórias de gente que não tem ninguém. Nem consegue sustentar-se amiga ou amigo de alguém por muito tempo. Paciência. Não sabem esses o que estão perdendo. O Whatsapp apitou. A primeira mensagem do dia. Era uma delas no grupo. A tela da janela voltou a trazer imagens da cidade atrapalhada e bagunçada. O relógio mostrava atraso. A saudade apertou e ela escreveu no grupo: “amo vocês”. Corações foram devolvidos.

Entrou no banho. Lavou a alma, vestiu a roupa.

Fez sua oração e saiu fortalecida pra vida, pela força que vem da força recebida das suas amigas. Sobre a mensagem de positividade no café da manhã, lembrou: tinha sido uma delas.


EDGARD ABBEHUSEN.
Baiano cá do Recôncavo. Vizinho de Edson Gomes, Sine Calmon, fã de Dona Canô e dos filhos que ela deixou no mundo. Aspirante a jornalista e sonhador de um mundo melhor. Tenho axé correndo no sangue. Amor no coração. E entre acarajé e Sushi, eu fico com os dois.
MEDIUMFANPAGE | INSTAGRAM

comentários pelo facebook:

3 comentários:

  1. Mantenho uma amizade há 15 anos, Ed. Ela é uma das primeiras pessoas que me dá bom dia. Eu aqui no Brasil e ela lá na Inglaterra. Acho que somente o amor é capaz de manter uma amizade por tanto tempo.

    ResponderExcluir
  2. Acho que eu sou do tipo de pessoa que não consegue manter amizade por muito tempo, a menos que a pessoa não se sinta ofendido porque passo longos períodos sem conversar com ela. Dos amigos do ensino médio, tenho vários no Facebook, tenho alguns amigos até da época da 3ª ou 4ª série, mas com nenhum deles sequer troco likes. Tenho um amigo que conheci no último ano do ensino médio e ainda hoje falei com ele, mas ainda bem que não fica me cobrando atenção porque eu mesma sei que sou meio (muito) desligada com isso.

    Conto lindo Ed! Obrigada por isso!

    Com carinho,
    Conto Paulistano.

    ResponderExcluir