Duas garrafas de vinho e muitas vidas de amor

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3 de março de 2017


Eu nunca fui fã do carnaval, mas o desse ano foi especial. Se nosso último encontro foi corrido, esse eu fiz questão de aproveitar cada segundo. O combinado foi compensar a falta de tempo do último almoço, então decidimos jantar.

Alguns encontros pedem por um restaurante bacana, mas a gente preferiu a simplicidade. Era fim de mês, o vale refeição já tava zerado, a conta no cheque especial, mas nada disso tirou o brilho da nossa noite.

Ela adora a parte lúdica da coisa e me mandou ir a caráter. Dei folga pra bermuda e pro boné, e coloquei aquela camisa surrada que fica no fundo do guarda roupa. Aquela que sabe o caminho dos casamentos e entrevistas da vida, sabe?

— Um vinho caro ou dois baratos?
— Prefiro a segunda opção. Gosto de procurar o amor no fundo da garrafa. Tu que procure no fundo da tua!
— Não é bem no fundo da garrafa que eu tenho planos de encontrar o amor essa noite, mas vou levar duas mesmo assim.

O cenário era simplesmente perfeito. Ou perfeitamente simples, whatever. Um colchão no chão da sala, dois copos de requeijão e caixa de pizza do lado. Desculpa, Paris 6, mas nossas acomodações e cardápio são melhores que os teus. Quem sabe na próxima, né?

Ela coloca Engenheiros do Hawaii pra tocar. Eu sei que eu não tenho a mínima chance contra o senhor Gessinger, então fiquei observando ela se envolvendo com a música e as reações que emitia. Uma música e uma 'taça'. Outra taça e um beijo. Outro beijo, outra taça, outra música.

Adoramos hipérboles, então mudamos a letra da música: Eram dois vinhos baratos e um cigarro no cinzeiro. Duas garrafas vazias recaídas ao lado do colchão que abrigava dois corpos cheios de curiosidade e saudade.

A minha camisa de sempre estava no lugar de sempre também, socada em algum lugar, junto com o vestido que fazia tempo que ela não usava também. Eu não entendo muito de mitologia grega, mas será que posso acender uma vela pro deus Baco? Porque vinho já é bom, mas sexo pós vinho é sensacional! Só queria agradecer mesmo...

Eu vou me deliciando com cada partezinha daquele corpo gostoso que ela tem. O beijo — ainda com gosto de vinho — é delicioso, os seios são convidativos... Não tem um milímetro daquele corpo que eu não tenha provado e me apaixonado ainda mais.

Ainda deitados, eu não consegui parar de encarar aqueles olhos. Antes a 'exclusividade' dos olhos que mudam de cor era minha, mas ver aqueles olhos da cor da água da piscina, depois do mar e vai mudando.. Só me dá mais e mais vontade de mergulhar nessa imensidão que ela é.

(...)

Alguns bons minutos depois ela saiu do banho e, ainda enrolada na toalha, se distraiu com a gata. Eu também. Com as duas, nesse caso. Eu fico maluco com esse jeitinho dela de Foda-se, sabe? A toalha caiu? Foda-se!

Ela virou pra pegar a Zelda e eu vi o amor da gatinha tatuada nas costas dela se materializar da forma mais linda que eu já vivenciei. Em cada carinho dado na gata, tu via o amor enchendo o quarto/sala... Ela parou em frente ao espelho e tinha poesia em cada curva nua dela, então fotografei as três gatas. Essa vai pro meu acervo pessoal.

Eu nunca sei se são 7 ou 9 vidas, mas tenho certeza que eu vou amar aquela menina dos olhos coloridos por todas que tiver.


DIEGO HENRIQUE.
Prazer, Diego Henrique, 25 anos, Paulista e solteiro. Um aquariano na casa dos vinte, que brinca com as palavras e coloca os sentimentos na ponta dos dedos.
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1 comentários:

  1. AIMEUDEUSDOCÉU Refrão de Bolero! A paixão louca que eu tenho por essa música (e tudo que envolva Humberto Gessinger)

    Henrique, como vai?
    Eu comecei a comentar antes de ler o texto só pra te falar do meu amor por Gessinger, mas daí quando li o texto, a simplicidade, imaginei o cenário com o colchão no canto do aposento... Foi lindo de ler e ver com a mente! Esses dois últimos parágrafos fecharam tão bem, que cara! Até eu fiquei curiosa pra conhecer essa moça e a gata também (mas nesse último caso, o animal mesmo).

    Com carinho,
    Conto Paulistano.

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