nosso ponto final

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21 de maio de 2017



Eu não quero que a nossa história termine sem, ao menos, um ponto final, sabe? Não sei lidar com esses livros que, num virar de páginas, se acabam. A gente volta para a última frase, relê, vira a página e a mesma está em branco, anunciando um fim premeditado. O livro acaba sem concluir e deixa aquele nó ruim na garganta e dezenas de interrogações. O autor é odiado por uns dias, a gente alimente suposições por outros tantos até cair no esquecimento. Não quero que a gente, eu e você, termine assim. Um fim sem final. Não está certo.


Atualmente, eu e você, estamos como numa música. Começa tímida, embala no refrão, aí ela vai morrendo na voz do cantor, sabe como? Tem música que termina-terminada, mas tem umas músicas que o refrão vai diminuindo o tom, diminuindo até um sussurro e, num respiro, nada. Acabou. Mudou de faixa. Estamos acabando, lentamente. Feito música. Que outra forma a gente poderia terminar, se não feito música?

Mas essas músicas que terminam assim, terminam cheia de reticências e, como disse lá no começo deste texto, não quero que a gente termine sem ponto final. Parece um descaso, sabe? Não comigo, não contigo. Um descaso com a nossa história, como se tudo bem deixar os is sem pingar, os tês sem cortar e tudo fora de lugar. Bagunçamos nós dois e seguimos, deixando a bagunça para depois, acumulando poeira, acumulando memórias, acumulando tempo – e esquecimento. Descaso, vê?

Eu sei que a música tá morrendo lentamente. Eu sei que as reticências estão prestes à serem colocadas; e não quero. Fico pensando em como pontuar nós dois, em como encerrar um ciclo, em como virar a página e saber que ali, vai ter em letras garrafais um ‘FIM’ bem bonito. Uma casa em ordem, os sentimentos bagunçados, mas prontos para serem colocados no lugar.

Me ajuda a arrumar a bagunça? Aí te deixo ir. E não precisa mais voltar.

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3 comentários:

  1. Um fim nem sempre é doído, às vezes é preciso. De vez em quando até necessário para se manter vivo uma chama de sanidade. Amei o texto Mafê! ♥

    Com carinho,
    Conto Paulistano.

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  2. Adorei essa comparação da relação com uma música, realmente tem relacionamentos que começam e terminam como músicas nesse estilo, que vai acabando levemente e sem ninguém perceber, acaba por inteiro e você fica naquele completo silêncio da troca de uma música para outra. Adorei demais esse texto!
    Beijos!

    www.likeparadise.com.br

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  3. Me doeu. Mais uma vez. Mesmo não tendo vivido isso até então, pois meus finais foram, até aqui, sempre bem pontuados, por mim, que não sei prolongar o que dói. Eu um dia deixei um amor muito bonito passar, para me salvar e para salvá-lo. O coração trincou, mas foi remendado mais tarde, por um amor maior, um amor que eu nunca pensei ter. Mas tenho. E daí então eu aprendi que amor não dói. Não tem que doer, diferente do que já disse Vinicius um dia naquele samba.

    Eu fico daqui com o coração muito pequeno, se apertando a cada parágrafo, desejando que a bagunça seja logo arrumada, ou então que o amor se organize dentro da bagunça, porque às vezes é bom assim também. Eu desejo que o fim saiba ser pontuado do jeito menos dolorido possível, se ele tiver que vir. Mas o que eu mais desejo mesmo é que tenha sorriso, mãos dadas e recomeço, porque isso é sempre possível, quando o amor se impõe e resolve fi(n)car.

    Que a próxima música a tocar seja a responsável por dar asas aos corações, para que decidam pousar no mesmo lugar.

    E é claro, o texto é lindo. Apesar de.

    Eu te quero um bem doido, Fê.

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