icones sociais

o que passou não basta


mas se eu pudesse voltar,
eu viraria naquela esquina mais uma vez


Depois que a poeira baixa e o coração se aquieta, o peito volta a se encher de sentimentos bons e a cabeça de memórias felizes. Eu percebi o momento de transição entre a incredulidade de tudo e a tranquilidade. Eu vi o sorriso que se expandiu nos meus olhos e refletiu nos lábios. Foi uma nostalgia bonita.

Era pra ser só um dia cinza


Eu estava sentado num banco de praça. Quem, em pleno século vinte e um, senta em banco de praça? Eu estava ali, o celular guardado no bolso, os olhos observando o movimento e a cabeça com mil pensamentos. Era um daqueles dias que a ansiedade implora por uma pausa, sabe como? Sentei no banco que ficava embaixo de uma grande árvore. Eu podia florear dizendo que era um flamboyant, ou uma figueira, mas a verdade é que só sei que era uma árvore grande. Esses nomes bonitos, peguei no Google.

Paixão antiga


Eu devia ter uns 4 anos quando me apaixonei. Devo ter lhe conhecido antes, mas daí já não lembro. Era meu aniversário, meus pais, primos e coleguinhas da escola estavam em volta da mesa cantando parabéns. Você também estava lá, brilhando! Eu me lembro que não conseguia tirar os olhos de você. Depois que todo mundo cantou os parabéns, foi você para todo lado.

quatro minutos e meio


Estava chovendo do lado de fora e do lado de dentro do quarto. Esteban tocava estridente no notebook, fazendo chiar o som, que implorava que eu diminuísse o volume. Mas, como comecei contando, estava chovendo e eu precisava de algo que gritasse mais alto que o barulho das gotas que batiam — em mim e na janela. Cruzei os dedos torcendo para que, pelo menos, o som não estourasse, haja vista o caos que estava por todos os lados, quando a última bomba caiu no meu colo.

papel em branco


É difícil — muitas vezes — organizar as ideias que pulsam loucas dentro da gente e por num pedaço de papel em branco. Já li diversos poemas, de ótimos autores, que falam do terrível medo da folha em branco, da imensidão de possibilidades escondidas naquele papel vazio. O tudo que há para se dizer, mas não foi dito. As cartas de amor que ficaram sem remetente. As verdades escondidas no mais íntimo... Tudo disfarçado pela brancura do papel.

retratos do cotidiano


“Sonhar pode”, dizia o grafite que vi no muro, em plena avenida. O trânsito é caótico e lento às sete e meia da manhã, mas chovia. Então o caos era um pouco maior. Os desavisados do tempo, andando de bicicleta ou a pé, aceleravam pedaladas e passos, buscando espaço entre carros, caminhões e containers. A vida da cidade parecia vida de cidade grande. Eu diminuí a velocidade e aumentei o volume. A música chegou numa surpresa boa aos ouvidos. Sorri.

Ao mestre, com carinho.


Admiro as linhas nem tem tanto tempo. Poesias tão tuas e outras poucas já tão minhas... Leitura fácil, esquecível da vida, um sorriso frouxo pendendo no canto dos lábios a cada frase lida e a surpresa de um quê a mais a cada fim de poema. Uma, duas, três, dez linhas. Ou mais. Tanto faz. A idéia escorre por entre teus dedos e num instante tu transformas a rotina, eternizando-a num pedaço de papel. Seja datilografado em máquinas velhas, seja rabiscado em folhas amarelas ou esquecido num arquivo, cheio de outros poemas antigos. E saboreio, e estremeço, e arrepio, e fantasio, e silencio. Ao ler, o que me vêm ao alcance dos olhos, me pergunto se há algum meio de tornar tudo mais perfeito, de tornar mais poético. E há.

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