TERAPIA

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20 de agosto de 2017


Há de querer ser leve, assoprada, bailarina. Dente-de-leão dançando no vento, voando sem pressa e sem saber aonde vai — e aonde quer — chegar. Frágil menina forte, que disfarça a fragilidade e os medos infantis nos risos de mulher suficiente, competente e independente, escondendo por detrás dos passos firmes a carência, as paixões e as necessidades, que vão muito além de um copo d’água e de comida frequente.

Tem-se sede de amor, de carinho tempo inteiro, de toque e mais toque e um pouco mais de toque, só para não faltar. Necessário ser presente, fazer-se presente e doar-se presente, desejá-la com leveza e segurá-la como se pudesse quebrar. E pode.

É moça de porcelana, de vidro por vezes, tamanha capacidade que tem de deixar transparecer, por mais que sempre e sempre e toda vida tente disfarçar. Leitura fácil e singela, basta penetrar o olhar e fazer coceiras na alma. Tudo se revela num desviar de olhos, que enrubesce e que cala falando mais do que poderia — e deveria — contar. E se permite, e deixa ser levada e envolta e segura, e desfalece em braços que sabem o que querem, em corpos que dizem mais do que a boca, em beijos que revelam segredos e em danças sem músicas, ritmadas alternadas, num desfecho digno de star.

E chove purpurina e o céu se torna particular e dela, todo dela, pronto para lhe levar e assoprar e permitir que seja, que voe, que chova. Que vá parar nalgum lugar. E vai, fugindo, sentindo, amando, sendo toda-toda e pedindo pra ficar...


Gravação para o Sarau na Câmera. Direção e realização : Juan Manuel Domínguez | Produção: Hang Ferrero e Ara Mari | Colaboração especial: Leonam Nagel

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