Achei que seria para sempre

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24 de novembro de 2017


Sempre que idealizei você era algo duradouro e eterno. Sei lá, pequeno, me contaram que amor assim não morre nunca, sabe como? Quando fechava meus olhos e imaginava esse futuro, era algo longo e para sempre. Até assustava, sabe? Assolava um pouco e ainda causa uma pequena ansiedade boba, como se eu entrasse em uma montanha russa e nunca mais pudesse descer. É legal, tem altos e baixos, dá um frio na barriga... mas eternamente. Ao menos, era para ser para sempre.


Tenho a impressão de que a gente se prepara uma vida inteira para encarar isso, mas a bem da verdade é que nunca estamos, de fato, preparados. Acho que é um choque, de todo jeito. De repente você não é mais sozinha, de repente você não é mais só uma, de repente você se torna responsável por dois. Loucura, não?

E isso deveria ser assim, para sempre. Algo que durasse minha vida inteira, sabe?

Mas com a gente não foi assim. Eu soube que você existiria no instante que você não existia mais. Eu soube que não era sozinha, no momento que fiquei só. Foi uma loucura intensa, sabe? Passa uma história diante dos olhos, passa o futuro e medo. Muito, muito, muito medo. Deu para sentir as pupilas dilatarem e o coração se dividir em dois: metade doía, metade aliviava. Metade sentia muito, metade respirava fundo.

Eu ainda não sei lidar com essas sensações duplas, porque me pareceu errado sentir alívio, ao mesmo tempo que me parece muito humano senti-lo. Mas não posso negar que eu achei que, quando você viesse, seria para sempre. Que a gente formaria um elo bonito e duradouro. Que nunca mais seria sozinha.

Entre um suspiro aliviado e outro, me bate uma saudade dolorida de uma história que não tivemos. Eu vejo seus olhinhos castanhos brilhando, eu escuto a tua risada divertida e sinto tuas mãos passeando pelo meu rosto. Eu sinto amor por todos os poros. Seria eu e você, sempre.

Ao menos eu achei que seria para sempre. Talvez o amor, mesmo louco e desavisado, seja.

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