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EU NÃO TÔ AFIM DE DESISTIR DE NÓS


Nunca fui do tipo de garota que fala, faz e acontece, sabe? Sempre fui mole demais, emotiva demais, crente demais. Esperançosa em demasia — talvez seja a forma mais pratica de explicar. Um olhar carente, um toque macio na bochecha e eu já desisti de desistir. Um "espera aí" e eu já estava com as malas desfeitas, fazendo planos para a vida inteira, mais uma vez. Firmeza nunca foi meu ponto forte, até que me derrubaram. Doeu pra caramba, me arrebentei inteira. Não sobrou 1cm de pele que não estivesse arranhada e nenhum canto do meu peito que não fosse escuridão e mágoa; Mas passou. Aos poucos fui acendendo uma luz aqui, abrindo uma janela ali e deixando a claridade entrar, tímida, até que você chegou. Aí eu fui dia ensolarado e noite estrelada. Fui pôr-do-sol, daqueles que a gente quer ficar de pé pra aplaudir, e fui brisa que faz sorrir.

NOSSA ESTAÇÃO


Ela olhou o céu naquela noite, com olhar manso, sem mudar a expressão suave que irradiava a sua face. Após um breve suspiro, pronunciou em um sussurro quase inaudível, observando-o: “Eu estou aqui."

TÔ SENTINDO TUA FALTA


Desculpa começar assim, tão direta, mas não sei ser sutil quando o sentimento pulsa, arde e queima aqui dentro. Tua ausência está me matando. Eu tentei mentir para mim mesma, incontáveis vezes, alegando que tudo bem, mas eu me acostumei tanto ao teu carinho diário, eu me apeguei tanto ao nosso companheirismo louco, que me dói um bom bocado ver você se afastando, por um ciúme bobo. Eu não queria que o ‘amor’ fosse maior que a nossa amizade, sabe? Mas, pelo visto, nós dois estamos perdendo. O que será de mim se esse for o nosso fim?

A AUTOSSUFICIÊNCIA PESA


Algumas pessoas por aí tem a triste mania de achar que são auto suficientes quando, na verdade, todos nós precisamos de alguém. Não estou falando de alguém pra se relacionar ou alguém pra sermos dependente, mas alguém que esteja ali, por nós.

Não dá, pra desmascarar nossa fragilidade só quando encostarmos a cabeça no travesseiro, nem dá pra desabafar só com as paredes do quarto, enquanto espera no silêncio, inúmeras respostas. Não dá viver um dia ruim e simplesmente guardar aquilo pra si ou, simplesmente, descontar as frustrações numa panela de brigadeiro ou num pote de sorvete de pavê.

O AMOR É FILME


Minha vida não é um cinema mudo barato, desses preto e branco. Embora, às vezes, prefira a falta de falas e um dizer nos atos, eu gosto mais é da vida em cor. Vivi as emoções do meu primeiro amor, infantil e inocente, entre risos e mãos dadas e trocas de olhares, somente. E, descobri, anos mais tarde, que amor é outra coisa. Vivi amores impossíveis, possíveis, platônicos e inatingíveis e recordo de quase todos. Descobri a beleza de um sorriso, a intensidade de um olhar e a tristeza de uma lágrima quando deixei de ser uma grande menina e passei a ser uma pequena mulher, carregando a felicidade num sorriso de Monalisa, discreto e quase imperceptível, cheios de poréns e porquês.

A FUGA DA FLOR


Abri os olhos devagar, bem depois de já ter consciência do dia, sem coragem para enfrentar a luz que ardia meu astigmatismo. Na medida em que minhas retinas foram se acostumando com a claridade, ele se materializou. A pele clara se deixava iluminar ao longo das costas largas que subiam e desciam com suavidade, acompanhando o arfar da sua respiração e ocupando boa parte da cama de solteiro. Ri no canto dos lábios e entendi porque sentia a coluna doer.

O ESPAÇO É TEU


Acordei com o barulho das tuas chaves na porta. Eram sete horas da manhã e eu ainda estava embriagada. Você abriu a porta com todo o cuidado do mundo pra não me acordar. Já te esperava ansiosa, meu bem. Foi muito fofo ver você tirando o sapato na porta pra fazer o minimo de barulho possível. Sua mala azul ficou ao lado da nossa mesa de centro e eu pude ver o cansaço nos seus olhos.

A vida parece muito sem sentido quando estamos longe de quem amamos. Estar sozinho para algumas pessoas é algo insuportável. Não posso dizer que sempre foi fácil pra mim, pois não foi. Não é. Depois de algum tempo a gente começa a aprender como aproveitar a solitude.

A GENTE SE ACOSTUMA


Você. Você por inteiro...é isso. Os teus olhos fechadinhos que transmitem um brilho intenso. O teu sorriso largo que desperta o que tinha adormecido no meu peito. Os teus cachos indefinidos que se enrolam perfeitamente nos meus dedos enquanto eu te acaricio. O calor do teu corpo que toda vez que se aproxima faz com que eu seja cada vez mais tua...

Quantos dias passaram desde que a tua ausência se fez presente? 

PARA O AMOR QUE AINDA NÃO ESTÁ AQUI

Ler ouvindo Hold Up - Beyonce.

Hey, cadê você que ainda não está aqui, hein? É que eu não sei ser só. Por mais completa que eu me sinta, mais perto de mim. Não sei ser só. Não sei viver na solidão de não dar amor. E isso às vezes é tão confuso, porque minha companhia é maravilhosa e finalmente aprendi a me curtir e me aproveitar. Mas quando você chegar sei que meu sorriso vai ser diferente e o meu corpo vai balançar devagar.

SIM, EU ME AFASTEI DE VOCÊ


Eu me afastei de você mais por uma questão de saúde do que de bom senso. Entenda, essa confusão toda entre sentimentos estava me corroendo por dentro. Meu peito tinha descompassado em algum momento e eu não sabia mais distinguir o certo e o errado, eu não sabia mais distinguir o sentir e virei um poço de tormento sem fim. Não entendia mais nada de mim.

MEU CONTO DE FADAS URBANO


Em algum momento da vida eu até imaginei que fosse viver um conto de fadas. Tirando o cavalo branco e algumas obrigações reais, imaginava talvez um desses urbanos em que você encontra o cara certo que atende a todas as expectativas. Aí eu encontrei você, e foi tudo tão maluco que fugiu de todos os contos de fadas possíveis e já escritos. Na verdade no início tem toda aquele lance da conquista, flores e esperas, mas a gente ultrapassou tudo isso. [Até cheguei a imaginar A Bela e a Fera, você descobriu que eu amava ganhar livros]. Essa primeira fase conquista, mas o que vem depois, meu querido, é o que te faz entender a diferença entre gostar de alguém e ter a ousadia de amá-la, isso sim é um desafio e tanto.

EI, ME DEIXA CUIDAR DE VOCÊ...


Talvez você tenha me pego te observando muitas e muitas vezes, mas eu não sei explicar bem, muito menos sei dissimular o que estou sentindo sem deixar você perceber. Sabe, eu não quero te assustar, assim como eu não quero me perder.

Tem vezes que eu não sei o que tá acontecendo, sabe, tem vezes que eu quero estar dentro de mim só para perguntar: "E aí, cara. Qual é a boa? O que tá rolando?" Eu não sei dizer. Eu não sei te dizer.

Só não me pergunte o que.

PARA UM TAURINO


Quando estou com você sinto como se estivesse escrevendo: é esta sensação de total pertencimento. As palavras saem de mim feito feras dóceis e, de certa forma, indomáveis, numa dicotomia pouco racional. Os versos transcendem meu livre arbítrio e se esvaem dos dedos antes que eu tenha a chance de escrevê-los. Quando te vejo, o tempo se faz estático naquele segundo de pausa que antecede qualquer grande decisão. Entre a causa e o efeito. Entre o arremesso e a queda.

É POSSÍVEL MUDAR O LAR DE LUGAR?


Dia desses me peguei pensando na casa nova. Você estava deitado no sofá vendo jornal, eu estava enrolada no trabalho porque, como você mesmo descobriu recentemente, eu sou boa na arte da procrastinação (embora tenha melhorado um tanto). Eu parei o que estava fazendo no notebook e fiquei te olhando, deitado naquele sofá escuro, meio que cochilando, meio que prestando atenção e peguei pensando na casa nova.

Suspirei.

QUANDO FOI QUE ME TORNEI ADULTA?


O uniforme era azul marinho com uma única faixa amarela na lateral, rabo de cavalo baixo, o cabelo castanho carregava do lado direito uma uma pequena presilha de flor cinza — daquelas de feltro mesmo — com uma flor rosa menorzinha, os óculos de moldura prateada combinavam com o aparelho que fazia o sorriso brilhar ainda mais. Enquanto eu balançava de cá pra lá não pude deixar de reparar naquela menina cheia de alegria no olhar. "Agora mãe?", ela perguntou querendo saber se já podia dar sinal para o ônibus parar no próximo ponto. "Sim, pode apertar", respondeu a mãe sem ver o estado de êxtase que tomou conta da filha no instante em que recebeu o aval para apertar um simples botão, indicando ao motorista que desceria no próximo ponto. Em seguida ela dançou entre as barras de ferro na frente da porta como se tivesse acabado de realizar um grande sonho. O ônibus parou, a porta se abriu, a menina e a mãe desceram e eu fiquei, segui o caminho de todos os dias.

NÃO SE ENGANE


Ela te contou ontem do sonho da noite assim que abriu os olhos. Não se engane garoto, ela não é de pegar e arriscar seus minutos sagrados da manhã onde busca sua paz em uma possível conversa, então apague da sua mente que isso é brincadeira, momento, porque não, ela não brinca com pessoas, sentimento é sagrado, e para brincadeira existem tantos eletrônicos e outras coisas descartáveis por ai, por que brincar com gente?

Eu não queria ter dito aquele adeus

neto-alves

Sei que é tarde para te ligar no meio da noite e dizer coisas que você já se cansou de ouvir. Por isso vou te escrever — pela última vez, só para esclarecer tudo que não tive tempo ou coragem de dizer.

A verdade é que não sobrou muita coisa depois que você se foi, sabe? Sinto que te levei até a porta da minha casa, mas, ao sair, nunca mais soube encontrar o caminho de volta; porque, cá entre nós, eu morava em você. Era você que me abrigava quando o mundo não deixava eu ir brincar lá fora, era você que que segurava a minha mão quando eu não sabia para onde ir, era você que me olhava nos olhos e me fazia enxergar um futuro que esperava por nós dois.

EU DEVIA TER IDO COM CALMA


Eu devia ter ido com calma, essa minha mania de viver tudo intensamente só me coloca em cilada. Não devia ter me dado tanto em tão pouco tempo... Mas é tudo tão bom, sabe. Quando não existe cobrança, quando não tem promessas quebradas. O problema é quando tudo isso começa. Quando você mostra o lado que eu não gostaria de conhecer. Mas dizem que relação é isso, é você conhecer todos os lados da pessoa e ainda assim amá-la. E eu te amo. Amo mesmo, mas devia ter ido com calma. Pra não precisar passar por isso, isso de esperar de mais, cedo demais.

CADÊ VOCÊ NO MEIO DESSA BAGUNÇA?


Tem dias que eu queria deitar a cabeça no teu ombro e me esquecer ali, quietinha. Ficar me embalando no ritmo da tua respiração, enquanto você cantarola alguma coisa bem baixinho no meio dos meus cabelos. Eu me enrolaria o tempo que desse, torcendo para o tempo não voar tão depressa. O tempo sempre foi sacana com a gente, percebeu? Lento demais tão longe, rápido demais tão perto. Ironia.

NÃO ME CANSO DE VOCÊ


Leia ao som de Gravity- John Mayer

Abri o computador esta manhã quando cheguei ao trabalho e notei que o site de poemas que costumo olhar tinha sido atualizado. Abri depressa para ver sobre o que seria desta vez e sorri. Justamente por falar sobre ‘cotidiano’ é que fiquei meio boba. Minha colega de sala olhou e me questionou sobre o que estava acontecendo e eu apenas disse: o amor é estranho.

ESSA DOR TAMBÉM PASSA, MENINA


Eu queria poder apontar-te o prazo de validade da tua dor, menina. Feito alimento na prateleira do supermercado, onde é certo que o seu anúncio precisa estar claro. Queria garantir que se aproxima o encontro com tua paz e que para isso a contagem é regressiva, e não agressiva. Eu queria dizer-te que não é preciso esperar - abrir com minhas próprias mãos o teu peito e arrancar toda a angústia nele intrincada. Se eu pudesse, menina, despir-te-ia de todos os teus temores. Mas cá estou a te assistir em plena nudez, agachada contra o boxe do banheiro, lágrimas misturadas com o jato do chuveiro, dedos trêmulos enterrados no cabelo e olhos perdidos em tumidez.

FIZ DA TUA BLUSA MEU PIJAMA


Hoje tua blusa é meu pijama. Hoje vou dormir com ela e relembrar de todos os momentos dos últimos dias. Vou sentir uma pequena saudade do corpo que repousava ao meu lado ao perceber o teu cheiro nesse pedaço de tecido que cobre perfeitamente o meu, sendo mais confortável que uma camisola.

Hoje eu vou pensar em ti mais do que eu normalmente penso antes de dormir. Teu corpo colado no meu dançando com o ritmo dos nossos corações acelerados no lençol amassado, levemente banhado com o suor da nossa respiração ofegante. Vou te agarrar na minha memória pra te fazer meu, nem que seja na eternidade dos nossos momentos recordados.

AMOR NÃO É MOEDA DE TROCA


Dias atrás, em uma de minhas reflexões existenciais, observei que cada pessoa que passa na minha vida deixa uma marca, um pedacinho dela – e leva uma parte de mim, mas isso, claro, já havia dito Saint-Exupéry em O Pequeno Príncipe, assim “Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”. E pontuando o que deixaram em mim, percebi que é inevitável mudar, crescer e evoluir. Porque, seja sútil ou dolorosamente, estamos vivendo e aprendendo com cada situação.

ESSA NÃO É MAIS UMA CARTA DE AMOR

Para ler ao som de You'll never see me again.

Desculpa esses garranchos e essas linhas tortas, mas não conseguiria te dizer tudo que está engasgado aqui dentro se eu ficasse olhando para esses teus olhos miúdos. Você sabe o poder que teus olhos tem de me desestruturar inteira e hoje não estava afim de me sentir desmoronar como das outras vezes. É patético e infantil, mas eu não conseguiria terminar meus pensamentos. Você mesmo disse que coragem não era meu segundo nome e, pois bem, não é.

UMA MALA DE SAUDADE


Olhei o relógio naquela noite, a insônia, para variar, me acompanhava nos pensamentos sobre a vida. Estava frio e eu não gosto de frio, era uma das coisas que você sabia sobre mim. Durante anos de convivência, brigas e os pedidos de perdão, éramos como dois irmãos — e irmãos brigam, ficam de cara feia, mas no final sempre estão ali, juntos, sem rodeios. Eu não entendia a situação, honestamente eu pensava cada momento tentando analisar da melhor forma possível de como a gente tinha chegado nesse ponto. Como não conseguimos pedir perdão novamente e continuar em frente da mesma maneira de quando a gente era criança.

A ofensa foi maior?

PARA UM GEMINIANO


Há sempre dor no ser e no não ser. O nada não é isento de sofrimento, ainda que nada seja sempre nada. Dentro dele há o vazio de um todo, vazio este que jamais é condenado ao esquecimento, pois não precisa ser lembrado para existir e não precisa existir para se manifestar. As lacunas só se extinguem quando preenchidas e o vazio não preenche sem antes desocupar. 

ME CHAMA DE AMOR


Não gosto quando você me chama de amiga. Amigos não fazem o que a gente faz quando nós dois estamos juntos. E quando você me chama assim, eu tenho certeza que é para colocar uma barreira entre a gente, mas é uma pena que você esqueça que o que rola conosco é diferente.

MESMO DEPOIS DO CARNAVAL, O GLITTER NÃO SAI DE MIM


O clichê bateu na porta já na segunda-feira, anunciando que o último dia de folia estava chegando, junto de um monte de frases feitas. Eu estava assistindo Netflix, largada no sofá, ignorando o fato de que enchia meu travesseiro de purpurina – e que isso custaria umas doses cavalares de sabão em pó e água limpa (desculpa, Mundo!).

O glitter era de ontem. Eu tomei banho, mas não saiu tudo. Xinguei? Xinguei! Reclamei da vida? Reclamei! Sentia um cansaço gritante no corpo, os pés cansados, as costas doloridas e uns roxos na perna – fruto de um tombo no meio do bloquinho. Tudo em mim me fazia lembrar dos dias de folia, tudo! O coração ainda pulsava no ritmo da bateria. O cheiro de cerveja revirava meu estômago – numa eterna ressaca tardia...

COMO A GENTE SABE QUE UMA RELAÇÃO ACABOU?


Sempre tive essa vontade de saber como identificar o fim de uma relação. Sempre quis saber se existe, de fato, um 'clic' que a gente escuta ou sente. Se é só uma luz que se apaga, um letreiro que se acende, ou um apito que fica cada vez mais forte. Como quando damos ré no carro e se estivermos prestes a bater em algo o sensor nos avisará. Talvez o apito seja o que antecede uma colisão de ideias, objetivos, desejos e afetos. Talvez eu apenas não tenha esse tal sensor. Deve ser coisa das novas gerações, quem sabe? Posso ter vindo com defeito de fábrica, outra possibilidade.

OBRIGADA A TODOS OS AMORES ERRADOS


Ao que saiu sem fechar a porta. 
Ao que saiu e bateu a porta.
Ao que saiu de fininho.

Você, que saiu sem fechar a porta, agradeço por mostrar que, independentemente das circunstâncias, é preciso avisar, que por mais distante que duas pessoas possam estar isso é algo que se faz ao menos por educação e o relógio não para, então tempo conta, e conta demais quando perde-se tempo a esperar pelo retorno do visitante que nem ao menos limpou os pés no capacho antes de entrar. Aprendi que o mínimo que se deve fazer antes de entrar na vida de alguém é limpar os pés, tirar a poeira, liberar a bagagem, seja ela boa ou ruim, porque a sujeira dos sapatos e a bagagem pesada ficaram na porta da frente e eu me responsabilizo apenas pela minha, então te aviso que a despachei, pois até das minhas eu me livrei.

ODEIO O QUE NÃO TEM QUESTIONAMENTO


Eu poderia voltar a falar que nem sempre concordo que dois mais dois dão quatro, assim como não é sempre que gosto do azul e passo a gostar do cinza. É que meu humor tem dessa mania irritante de ser e deixar de ser, gostar e desgostar. Mudar, apenas. Posso também te contar de todas as saudades que moram em mim, que variam entre uma música, uma melodia, um livro antigo e pessoas. É que guardo tudo em uma caixinha de sapato, para revirar o passado de vez em quando e encher o quarto com pó de nostalgia — o que me ataca a rinite e faz meus olhos arderem em chuva.

NÃO SEI SE É VOCÊ OU MINHA CRISE DE ANSIEDADE


Não sei diferenciar minha crise de ansiedade dos efeitos que você tem sobre mim. Você me atinge na mesma proporção, a única diferença é que com você não vejo necessidade de tomar nenhum ansiolítico. Pois é como se eu quisesse viver cada sintoma de forma muito intensa e única.

A respiração ofegante ao te ver se aproximar, a falta de concentração pra todas as coisas quando tenho você no pensamento. O frio na barriga ao sentir seu toque. A insônia programada pra passar as madrugadas conversando com você. A tensão muscular que implora uma massagem sua.

Tantas vezes me pego roendo a unha, imaginando que está próximo da hora de te encontrar novamente. Tenho medo de errar nas palavras ou de me sentir completamente travada diante do que me assusta. Não que você me assuste, mas o que sinto sim, porque é algo completamente novo.

Obrigada pelo amor da minha vida


Sogra, por que colocaste tanta perfeição em uma só mulher? Tem como não amá-la? Ela sabe se desdobrar entre os cursos, trabalho, amigas, o cachorrinho e ainda me dá seu colo, faz planos, escuta meus sonhos e é aquela que sempre me impede de desistir. Não sei como ela dá conta de manter tantas redes sociais atualizadas, eu mal checo meu e-mail. Mas ela é Twitter, Facebook, Instagram, Snapchat, Blog... Se eu tenho ciúmes? Como eu poderia? Ela me ganha com as frases que escreve e com aquelas fotos que posta. Que o mundo veja, vibre e se apaixone por ela, porque eu sei que ela é só minha e isso me basta.

FAÇO QUESTÃO DE CUTUCAR AS FERIDAS


Meus olhos são de chuva, bem sei. E por mais que chova toda a triste nostalgia que me mora, não consigo aliviar. Não se esvai. Ainda fica impregnado em cada parte do meu corpo, pensamento e alma. Coração. E, doentia, faço questão de cutucar as feridas que eu mesma causei, recordando músicas, relendo frases e relembrando histórias.

Estou me doendo inteira.

O SEGREDO DA FELICIDADE


Dia desses eu olhava pra tela do celular e podia ver, refletido ali, meus olhos, tão vermelhos de raiva que achei que iam estourar. Sensação chata essa de brigar com alguém que se gosta, né? Confesso que não lembro exatamente como começou, mas quando me dei conta já o chamava de cretino – digo pra vocês que chamar alguém de cretino é algo que me satisfazia muito, antes – e meu estômago embrulhou. Bloqueei a tela e respirei. A náusea parecia ser provocada por um soco. Eu levei um soco, literalmente, da minha consciência. É mais fácil jogar a culpa nos outros e esperar que eles correspondam da maneira que a gente quer, né não?

AS VERDADES QUE EU NÃO TE CONTEI

samia-louise

A verdade é que não foi o teu cabelo desgrenhado que roubou o meu riso na primeira vez em que te vi, amarrando o cadarço no banco da praça enquanto o vento brincava de espalhar os teus papéis. Tinha tudo pra eu achar graça do teu desjeito, mas essa história foi só pra esconder que a culpa sempre foi dos teus olhos. Temi que você me achasse boba demais ao confessar, mas, no instante em que você levantou a cabeça e me pegou em flagrante, meus lábios já te obedeciam involuntariamente. Eu sorri. Passei todo esse tempo responsabilizando as estampas das tuas camisetas, o teu sotaque sulista e essa mania irreverente de levantar as sobrancelhas ao demonstrar interesse. Mas, na verdade, sempre foram os teus olhos — eles têm o dom de fazer cócegas em minha alma. Não importam os motivos que eu aponte, o meu sorriso pra você vem de dentro — teus olhos plantam uma dúzia deles toda vez que se descansam sobre os meus.

EU NÃO PRECISO DE MUITO PARA SER FELIZ

mafe-probst

Madruga.

O frio vem sem rodeios, anunciando chegada num vento que rasga a pele. Não... Nada de arrepios que lembram lábios dessa vez. Não olhei pro céu e, confesso, há dias que não executo esse velho hábito de admirar as estrelas. Tentei roubá-las e reproduzi-las nos meus olhos, mas meu sorriso não chega a refleti-las. Pena. Lembrei da câimbra agora e não reluto em dizer que sim, a felicidade é um tanto incompleta nos risos fotografados. Desculpa se falo sem rodeios, mas é que desisti de calar e disfarçar sentimentos e decidi que quero estar cercada de tudo aquilo que me faz bem. Tinha me perdido nos últimos tempos e sequer reconhecia meu rosto defronte ao espelho e te conto que agora recomeço a me sentir mais eu. Sinto pulsar dentro de mim aquilo que sempre fui, as borboletas estão cada dia mais inconstantes e eu coro e não calo e tenho muita vontade de dizer que:

Eu sou carente.

Do mundo e da vida

fernanda-amorim

Seis da tarde, ônibus lotado e o trânsito virado num caos, típico de sextas-feiras chuvosas. Terezinha estava sentada no último banco individual da fileira esquerda, cabeça colada na janela, portando um fone de ouvido verde, o qual tocava a música trilha sonora da sua vida.

José estava na livraria desde às quatro e cinquenta, em dúvida de quais levar, quantos levar e se levar. Nunca soube escolher um halls na cantina do colégio, quem dirá escolher as palavras cabíveis de se ler naquele momento.

Terezinha lamentava e questionava “os porquês” à vida. Não entendia bem ao certo porque nunca deu certo. Sempre amou demais, se entregou demais, foi demais para os de menos. Ainda assim, tinha fé na vida e via coragem no amor.

Seu último relacionamento atingiu todas as expectativas possíveis que ela nunca ousou ter, aquelas negativas. Ficou cega na vontade de companhia, perdeu-se na figura que repousava ao seu lado na cama todas as noites de fim de semana. Questionava-se sobre o amor, queria descobrir sobre a vida.

É um vazio tão cheio

laura-aquino

Desde que você se foi descobri o vazio mais cheio que já vi. É que eu tô cheia de saudade, de falta, de ausência. Cheia de vontade te encontrar, saber se você tá bem. Se ainda se lembra de nós. Transbordo por saber que fizemos o que tinha de ser feito, estávamos no limite de nos machucar. Precisávamos fazer mais por nós, mesmo que esse nós implicasse em nos separar.

Tínhamos tudo para dar certo sabia?

mafe-probst

Dava para ler em cada entrelinha da rotina que levávamos, entre um beijo e outro, entre um amasso e outro, entre um brinde e outro. Pulsava uma felicidade infinita na minha íris, refletida na tua. Nosso riso dançava nos olhos e lembro como se fosse ontem o dia que você sussurrou entre meus cabelos: adoro gente que sabe sorrir com os olhos. Quis retribuir a fala, porque teu riso era pintado em cada faceta dos teus olhos claros. Cada vez que você derramava palavras entre meus cabelos, meus olhos ardiam de feliz. E o riso intensificava nos lábios. E a fala secava na garganta. E você sabia muito bem disso, pois sussurrava o mundo inteiro, só para ver sorrir.

SE EU PUDESSE ENVIAR CARTAS AO CÉU

indi-passos

Linda flor, era assim que eu iria começar a carta, se entregassem cartas no céu. Não tenho ideia se a leria, mas eu queria muito que você soubesse que me passa um filme na cabeça ao escrever para você. É que definir um sentimento fica difícil, o último encontro foi meio conturbado, tinha muita gente ao redor de ti. Quem me dera ter poder pra chegar ali no ouvido de Deus e dizer o quanto Ele foi bondoso ao nos trazer essa joia rara, que alguns chamam de mãe e eu tive o prazer de chamar de vovó. E ainda terei, pena que você não estará por perto pra dar aquele sorriso gostoso e me apertar as bochechas. Me perdoa as vezes se, em algum momento, eu esqueci de dizer o quanto você é importante, ou aqueles dias em que não pude te visitar, ir ao teu encontro, pois estava cheia de coisas que eu considerava prioridade (eu estava errada). Mas saiba que nunca me esqueceria de você, do seu olhar terno, da prece em silêncio, de quando você dizia: ‘Vai com Deus!’

para um pisciano

marina-kon

Ainda que eu não conheça sua verdade, ela me toca com inocência de quem não sabe tocar. Sinto que carrega consigo a plenitude de tudo o que é breve, desde os instantes dos dias comuns, banais para serem lembrados, até as conversas macias de travesseiro. Seu amor parece rosa que nasce e seca sem nunca desflorescer. É flor que desabrocha na imanência das coisas efêmeras. Vejo em seus olhos pequenos espaços de quem não se cabe no corpo. Seu olhar simplesmente desnuda o peso das máscaras ou mesmo das roupas.

Vamos tocar nesse assunto

yami-couto

Já se passaram 10 anos. Mesmo que nossos rostos não tenham mudado tanto, dentro de nós houve uma grande destruição. Não somos mais os mesmos, mas você talvez me seja a lembrança mais grata de uma pessoa cheia de esperança que eu gostaria de ter resgatado antes de cair nas armadilhas que ela encontraria.

É diferente. A gente se vê, pois de uma certa maneira estamos refletindo a nós mesmos no passado, mas será que você aguentaria viver com quem eu me transformei? Será que você se importaria se meus olhos parassem no vazio e se eu me sentisse vazia? Será que você entenderia que talvez você tenha chegado um pouco tarde e alguém já tenha tomado o seu lugar? Alguém que não consigo esquecer... Que não consegue me ver, pois outras estão ocupando a visão dele, assim como pode acontecer com você, pois outras sempre vão ter.

Assim você morria aos poucos aqui dentro

brunna

Foram tantas as vezes em que tentei me enganar e fingir que nada acontecia em meu interior, que meu coração não se machucou, que a mente continuava sã e calma como sempre foi, que tudo que se passava ali era bom, que nada me perturbava a calma. Me pergunto por que fazia isso comigo ao invés de retirar a venda proposital que você me ajudou a colocar enquanto partia, enquanto vagarosamente saia pela porta dos fundos ou pela janela que esqueci de trancar certa noite e nunca mais apareceu para aquele café da manhã, aquele que incendeia a cozinha com aquele cheiro delicioso de café matinal que tanto me fazia arrancar sorrisos com o presságio de que o dia seria bom.

Amor é vintage, baby

giselle-f

Um dia o pouco de bunda que a vida me deu vai cair, isso é um fato. Outro fato é que cairão também os peitos nos quais você gosta de deitar pouco antes de se virar de costas para dormir — li em algum canto que casais que dormem de costas um para o outro tendem a durar mais, por confiarem mais um no outro —, a pele do rosto que você tanto gosta de observar em silêncio ficará mais flácida e terá poucas ou muitas manchas, a das olheiras vai começar a saltar e cobrir levemente minhas bochechas que você gosta de fazer corarem. Você sabe disso, não é? Sabe que minha barriga, onde você gosta de apoiar o braço durante alguns minutos no meio da madrugada, vai ficar cada vez mais mole e talvez eu sequer aguente o peso do seu braço, certo?

Me diz que sim.

Bem na hora que eu resolvi seguir em frente o “embuste” volta

agua-de-chuva

Foi complicado. Foi muito complicado dizer adeus a quem eu dediquei tanto tempo da minha vida. Juras de amor, planos de um futuro a dois... Tudo isso parecia ser tão verdadeiro e sólido. Pouco a pouco esse mundo encantado foi desmoronando até que nada mais fazia sentido. E o fim aconteceu.

O amor não acaba como nos contam

re-vieira

Sempre que uma história de amor se finda vivemos todo um processo, vem a negação, vem a raiva, vem o sentimento de impotência, vem o ódio, vem a dor, até de fato surgir a indiferença. 

EU TE QUERO, MAS NÃO QUERIA QUERER


Estou pensando diversas formas de começar te dizendo tudo o que quero e, em todas elas, só consigo pensar em algum palavrão bem feio, seguido de diversas exclamações. Talvez eu gritasse... Não, seria bem provável que eu gritasse, sentindo um alívio gigante por tirar da garganta essas palavras que dificultam que eu respire.

Eu nunca quis os joguinhos e já te contei isso. Não sei lidar com meios termos, com ‘ligo agora, ou espero depois’, com ‘respondo agora, ou me finjo ocupada’ e outros mimimis exagerados que fazem a nova geração perder tempo demais. Sempre soube que não tinha tempo, então deixei bem as claras todas as vontades, certezas e, como não?, indecisões.

Fiquei imaginando o que poderíamos ter sido

samia-louise

Tive vontade de te escrever. Descrever em frases poucas que há muito desisti de desatar nossos nós. Eu e você ainda somos uma coisa só, estampando o plano de fundo das minhas pálpebras. Cada vez que fecho os olhos, tenho vislumbres dos nossos plurais. Tive vontade de te endereçar as caixas de palavras não ditas que tenho guardado no depósito do meu peito. E com elas dizer o quanto desejei pegar o telefone, extasiada pra te contar sobre a nova proposta de trabalho, perguntar como anda o mestrado e dizer que finalmente acertei o ponto daquela receita de torta de legumes. E quem sabe confessar a falta diária que você faz.

Cinco coisas que esqueceram de nos ensinar


Certo dia contaram pra nós – sim, eu e você – que as histórias que valem a pena são aquelas que vemos nos filmes. Na verdade não contaram exatamente assim, mas entre uma sessão e outra, um livro e outro, umas histórias clichês das nossas melhores amigas e algumas coisas que não deram exatamente ‘certo’ pra nós, começamos a acreditar que o perfeito é aquilo que vemos por aí. Dói quando percebemos que nossa história é nada parecida como os outros aparentam no Instagram, dá nó na garganta e temos vontade de ter uma vida completamente diferente da que temos. Mas te pergunto: será que vale mesmo a pena ter uma história clichê? Depois de certo tempo analisando os fatos e fazendo cálculos que nunca davam o resultado igual (é, não sou boa em matemática), cheguei, quase sem querer, em uma lista de coisas que ninguém nos ensinou, mas podem mudar nossa perspectiva. Eis que vos apresento a realização da minha existência:

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