COMO A GENTE SABE QUE UMA RELAÇÃO ACABOU?

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14 de fevereiro de 2018


Sempre tive essa vontade de saber como identificar o fim de uma relação. Sempre quis saber se existe, de fato, um 'clic' que a gente escuta ou sente. Se é só uma luz que se apaga, um letreiro que se acende, ou um apito que fica cada vez mais forte. Como quando damos ré no carro e se estivermos prestes a bater em algo o sensor nos avisará. Talvez o apito seja o que antecede uma colisão de ideias, objetivos, desejos e afetos. Talvez eu apenas não tenha esse tal sensor. Deve ser coisa das novas gerações, quem sabe? Posso ter vindo com defeito de fábrica, outra possibilidade.

Não sei, talvez o fim seja exatamente como no início. Talvez a gente perceba no toque diferente, no olhar de um outro jeito que não o de sempre, no tom da voz que muda quando a palavra nos é dirigida. Talvez esteja na gentileza não feita, no carinho não dado, no beijo não roubado. Quando deixamos o chinelo virado dizem que a mãe da gente vai morrer, né? Nunca vi sentido nisso, mas nunca deixei chinelo virado por aí. Vai saber... Queria saber o que é que a gente vira pra causar a morte de um amor.

Confesso que em dias rabugentos culpo Vinicius, seu maldito Soneto de Fidelidade e seu "enquanto dure". Isso confunde a cabeça de uma pessoa sabia, Sr. de Moraes? Quem é que começa algo esperando que não dure? Ninguém. A gente só pensa no "mas que seja eterno". Amor não vem com prazo de validade no verso. Aliás, também não sei onde fica esse tal de verso. Será que é no ódio? Ou será na indiferença? Quem sabe ele esteja nas diferenças, mas não tem também aquele cara que diz que opostos se atraem? Então em quem eu devo acreditar? Também não sei.

A verdade é que ninguém nunca soube me explicar que cara tem esse tal de "fim", porque tenho essa mania de transformar ponto em reticência e retomar depois de um tempo. Ou no minuto seguinte. Só que quando algo chega mesmo ao final, passa rápido demais, igual a trem de carga que passa pela estação quando estamos esperando o trem de embarque. Fora que nunca vem duas vezes no mesmo horário, porque fim nunca é igual. Às vezes ele se mostra logo no começo, como nesse texto. O primeiro parágrafo a ser escrito acabou sendo o penúltimo, esse que você lê agora.

Por essas e outras acredito que seja essa a cara do fim. Talvez ele tenha cara de início, daí a ideia de que depois dele a gente tenha que voltar ao zero, embora esse também nunca esteja no mesmo lugar. Então, se alguém souber, me diga: Qual a cara que o recomeço tem? Talvez eu precise encontrá-lo.

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