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EU NÃO TÔ AFIM DE DESISTIR DE NÓS


Nunca fui do tipo de garota que fala, faz e acontece, sabe? Sempre fui mole demais, emotiva demais, crente demais. Esperançosa em demasia — talvez seja a forma mais pratica de explicar. Um olhar carente, um toque macio na bochecha e eu já desisti de desistir. Um "espera aí" e eu já estava com as malas desfeitas, fazendo planos para a vida inteira, mais uma vez. Firmeza nunca foi meu ponto forte, até que me derrubaram. Doeu pra caramba, me arrebentei inteira. Não sobrou 1cm de pele que não estivesse arranhada e nenhum canto do meu peito que não fosse escuridão e mágoa; Mas passou. Aos poucos fui acendendo uma luz aqui, abrindo uma janela ali e deixando a claridade entrar, tímida, até que você chegou. Aí eu fui dia ensolarado e noite estrelada. Fui pôr-do-sol, daqueles que a gente quer ficar de pé pra aplaudir, e fui brisa que faz sorrir.

Te fiz desmanchar em sorriso pela primeira vez e meu mundo se encheu de cores e sabores. Voltei a entender o significado de felicidade, ainda que nunca tivesse vivido algo igual. Quando te vi chorar pela primeira vez, não te contei, meu peito inundou e eu só queria ser capaz de te arrancar dali, só pra nunca mais te ver daquele jeito. Sequei, lágrima por lágrima, até conseguir te fazer sorrir novamente. Você carregava tanto peso, mas naquela noite você flutuou nos meus (a)braços até que não pudessem mais ver a divisão do meu corpo com o teu. Éramos um só ser. E mesmo quando nos distanciamos, a ligação nunca se quebrou. O meu peito sempre foi teu lar e teus olhos o meu mar. Até que não fomos mais.

Hoje tá tudo fora do lugar. Hoje não encaixa. Hoje não combina. Não orna. Hoje somos um amontoado de desentendimentos, carregados pela esperança vida afora. Não caminhamos, corremos e quando, por cansaço, damos uma pausa, nossos horários não batem, nossas vontades não coincidem e nossos trajetos parecem cada vez mais distintos. Não importa o quanto a gente tente, a cada dia estamos mais distantes do que antes era nosso tão desejado futuro. E isso dói, sabia? A vontade é de te ver me agarrando no meio da rotina, me dizendo pra parar de ser louca, pra parar de falar bobagem, que a gente não tem que desistir da gente e que por maior que seja a bagunça, é nossa e nós vamos arrumar tudo. Lado a lado. Sonho com você me dizendo que desistência tá fora de moda, que (ainda) vê um futuro onde podemos até não ter tudo que sonhamos, mas conquistamos parte disso e ainda temos gás pra mais. Mas Raul já dizia, amor... "Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só."

Falta sonhar junto. Falta querer junto. Falta sentir junto. Falta caminhar junto. Ter espaço junto. Falta juntar a paciência com o respeito e (re)aprender a calar. Falta tempo, pra ter tempo longe e desejar que esse tempo acabe. Falta ter saudade. Falta tanta coisa e sobra tanta falta que já não sei o quanto você ainda enxerga de tudo que temos — ou tínhamos, não sei ao certo. Só peço que não falte esperança — em você. Em mim ainda tem um tanto de luz iluminando o sentir que não diminui, apesar de.

Vê se em algum lugar por aí você escondeu um pouco de esperança e se alimenta dela. Por nós. Pelo que fomos, somos e podemos ser, te imploro. Não me deixa desistir. Se eu sair pela porta do teu peito eu não volto. Então me segura e, por favor, não me deixa ir.





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