O amor não acaba como nos contam

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6 de fevereiro de 2018

re-vieira

Sempre que uma história de amor se finda vivemos todo um processo, vem a negação, vem a raiva, vem o sentimento de impotência, vem o ódio, vem a dor, até de fato surgir a indiferença. 

Acreditamos que depois de colocar pra fora todas as palavras, quando deixamos de seguir nas redes sociais, quando soltamos todo nosso desapontamento sobre ele para os amigos, quando vomitamos aquele sentimento que um dia foi tão bonito, mas agora acabou — e como crianças mimadas nos negamos a entender que acabou.

Nós apenas achamos que, como em cenas de novela, iremos nos deparar com o próximo amor e o passado pertencerá ao seu lugar, lá no passado. Se você acredita nisso, você é um tolo. O amor não acaba quando descobrimos uma traição, o amor não acaba quando decidimos não continuar na relação, o amor não acaba porque estamos feridos.

(...) Hoje eu sonhei com você. Anos se passaram desde o último abraço, anos se passaram desde a última briga. Eu te odiei na mesma proporção que eu te amei. Já tive vários “amores”, mas nenhum deles foi capaz de me envolver como você me envolveu, nenhum deles teve a intensidade dos meus sentimentos como você teve.

E eu senti raiva por você não me amar, eu me senti impotente por não ter lhe conquistado, eu senti ódio por você saber que eu te amava e mesmo assim me deixou partir, eu senti uma dor que me consumiu dias e dias e dias e ela quase me enlouqueceu. E aí veio a indiferença, eu dizia a todos que eu não te amava mais, que eu tinha te superado, que de fato você tinha se tornado insignificante. Então o destino, mais uma vez, me provou que eu estava errada. Eu te vi e doeu tudo de novo, toda a mágoa, a tristeza, a raiva, a impotência e os sentimentos ruins me abraçaram. Eu implorei pra deixar tudo isso pra lá e o tempo dessa vez me escutou. Ele se compadeceu de toda a minha dor e me abraçou, é como se eu tivesse dormido por dias e quando eu acordei tudo aquilo não me importava mais.

Acabou sim! Não estamos mais juntos, mas eu me libertei dos sentimentos ruins, parei de te culpar pelo nosso final, perdoei o que cabia perdão, consegui me perdoar e, quando tudo estava de novo em paz, eu vi uma notificação sua. Aquilo ali mexeu demais comigo, porque depois de tudo eu descobri que o que restou, foi unicamente amor. Sim, eu te amo, e talvez irei te amar pra sempre.

Não é um amor de querer de volta, não é um amor de desejar os beijos, ter saudade do abraço, querer estar perto, não, já passamos dessa fase e não somos mais os mesmos... Pelo menos eu não sou e ainda bem que não sou, mas eu ainda te amo e serei sempre grata a você por não termos dado certo, porque foi com você que eu aprendi a não ter mais pressa do amor que virá depois.

Foi com você que eu aprendi que o amor que irá chegar será o mesmo que irá me curar, ele vai vir e me olhar com todas as minhas cicatrizes e vai me aceitar. E você? Bom, ainda será o meu amor, mas não caminharemos mais juntos e não existe nada de triste em dizer adeus. É como um livro, começamos com tanto anseio e quando de fato conhecemos os personagens e o desenrolar da história, não queremos que ele acabe, mas ele acaba. O que não tira a beleza da história, mas vem para deixar em nós novos sentimentos.

Hoje? Eu ainda sou a mesma garota que um dia te amou, mas não sou mais a mesma que deseja o seu amor. Você foi um dos meus livros preferidos e ao te colocar de volta na estante, me sinto pronta para viajar em uma nova leitura, só que dessa vez sem os sentimentos ruins. Amar é intensidade. Sobreviver ao amor? É liberdade.



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