O apego não quer ir embora

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2 de fevereiro de 2018


Não sei o que me dá nesses tempos de rotina cheia e dias curtos, mas teu silêncio me assusta e me entristece. Eu sinto falta de quando imaginava ouvir tua voz rouca ecoando em meu pensamento seja em uma canção de John Mayer ou apenas um falatório incessante sobre saudades, ironias da vida e anseios sem fim. Eu te tenho no melhor dos sentimentos, uma lembrança de vida boêmia, de sorrisos certos e abraços quietos, daqueles que calavam as agonias todas. Sempre foi coisa tua isso, resolver problemas apenas por existir, por ser presente ou fazer-se. Um presente, meu.

Há dias tu não apareces. Nem em sonhos, bonito. Antes dançávamos tango nos sonhos mais absurdos que só minha mente é capaz de sonhar e tu estavas ali, de plateia, rindo de minhas novelas mexicanas absurdas, compartilhando teu melhor e dividindo minhas lágrimas contigo. Hoje tu se faz silêncio. Um buraco em minhas insanidades, uma quietude ensurdecedora que me aflige, dia pós dia. Que te acontece, Dan, para não mais apareceres?

Chego a ser boba, acordando no meio da noite esperando por um ruído teu. Vontade de te ter zelando meu sono de sonhos incertos, calando meu coração que grita uma saudade inquietante e fazendo-me menina nas tuas cantigas de ninar. Sinto tua falta me chamando, contando o teu lado da ‘vida’ e sussurrando no vento uns beijos doces que selam uma saudade infinita de um amor de amigo-irmão. É teu abraço que me chega com a força do vento, quente como o sol, pincelando umas estrelas em meu olhar e deixando um resto de sorriso teu impresso no meu rosto.

Tu sempre me foste, sabe? E eu, sempre te fui. Um completando o outro. Nó cego. Agora tu me escapas, escondido no quase-esquecimento e eu luto, de mãos estendidas em tua direção, para que me dê as tuas e fique aqui, comigo, nesse laço de irmão. Mas não te vejo, Dan. Não sei qual é a tua escuridão. Daqui, apenas meu medo. E meu coração te chamando, em vão.


Me mostre um caminho agora
Um jeito de estar sem você
O apego não quer ir embora
Diaxo, ele tem que querer

[Dona Cila - Maria Gadú]


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