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O apego não quer ir embora


Não sei o que me dá nesses tempos de rotina cheia e dias curtos, mas teu silêncio me assusta e me entristece. Eu sinto falta de quando imaginava ouvir tua voz rouca ecoando em meu pensamento seja em uma canção de John Mayer ou apenas um falatório incessante sobre saudades, ironias da vida e anseios sem fim. Eu te tenho no melhor dos sentimentos, uma lembrança de vida boêmia, de sorrisos certos e abraços quietos, daqueles que calavam as agonias todas. Sempre foi coisa tua isso, resolver problemas apenas por existir, por ser presente ou fazer-se. Um presente, meu.

Há dias tu não apareces. Nem em sonhos, bonito. Antes dançávamos tango nos sonhos mais absurdos que só minha mente é capaz de sonhar e tu estavas ali, de plateia, rindo de minhas novelas mexicanas absurdas, compartilhando teu melhor e dividindo minhas lágrimas contigo. Hoje tu se faz silêncio. Um buraco em minhas insanidades, uma quietude ensurdecedora que me aflige, dia pós dia. Que te acontece, Dan, para não mais apareceres?

Chego a ser boba, acordando no meio da noite esperando por um ruído teu. Vontade de te ter zelando meu sono de sonhos incertos, calando meu coração que grita uma saudade inquietante e fazendo-me menina nas tuas cantigas de ninar. Sinto tua falta me chamando, contando o teu lado da ‘vida’ e sussurrando no vento uns beijos doces que selam uma saudade infinita de um amor de amigo-irmão. É teu abraço que me chega com a força do vento, quente como o sol, pincelando umas estrelas em meu olhar e deixando um resto de sorriso teu impresso no meu rosto.

Tu sempre me foste, sabe? E eu, sempre te fui. Um completando o outro. Nó cego. Agora tu me escapas, escondido no quase-esquecimento e eu luto, de mãos estendidas em tua direção, para que me dê as tuas e fique aqui, comigo, nesse laço de irmão. Mas não te vejo, Dan. Não sei qual é a tua escuridão. Daqui, apenas meu medo. E meu coração te chamando, em vão.


Me mostre um caminho agora
Um jeito de estar sem você
O apego não quer ir embora
Diaxo, ele tem que querer

[Dona Cila - Maria Gadú]


Comentários

  1. Já não consigo assimilar tamanhas coincidências a minha vida. Quantas palavras certas, bonita

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  2. desta vez acertou em cheio. e nele vai causar uma hemorragia

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  3. É uma dor grande achar que a saudade silenciou os murmúrios que ainda mantinham vivas as lembranças mais bonitas, eu sei. É dor grande achar que a saudade apagou as imagens borradas que nos faziam acreditar que tudo fora mais do que um sonho rápido, eu sei.

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  4. agora fica mais dificil: calar-se ou jogar tdo a ele?

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  5. Acho possível que num futuro se possam controlar as lembranças como se foram sonhos. Mas acho que será sempre preferível esse misto de doçura e crueldade que naturalmente a alma nos proporciona.

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  6. Saudade é coisa de dói demais. Porém, acho válida qualquer tentativa enquanto a certeza do fim não tenha chegado. Ele pode voltar.

    Beijo, moça.

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  7. Oi flor...

    Lindas palavras.. acho que estamos mesmo passando por momentos parecidos... um silêncio que nos corta os ouvidos e o coração né??

    Ele me faz tanta falta como o seu a vc!!!

    Espero que esta dor logo passe.. para nós duas!!!

    Bjos e fica bem!!

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  8. Tuas palavras são doces, belas e encantadoras.
    Elas acalentam a alma de quem lê.

    Beijo.

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  9. Saudade, verdadeiramente, é o amor que fica.

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  10. Doce, você sabe?
    Adorei o layout.
    Bjos

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  11. Tem um conto teu, que é um dos meus favoritos, que tu conta a história de Daniel e Elisa.

    Até pensei, quando vi o prólogo que você deixou no fragmento, que a novelinha que vocês escrevem fosse o início da história deles...

    Acertei?

    ;*

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  12. Dan ( ou a saudade dele ) já passeou tanto aqui, que eu também choro Dan ;

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  13. essas tuas palavras deixaram meu coração apertadinho, e os olhos marejados compartilhando contigo uma tristeza q nem posso se quer imaginar de tão grande q é, já li vários textos seus falando sobre o 'dan', todos carregados de muita emoção... lembrei de um trechinho de caio f abreu q diz assim 'a gente esquece sem saber q está esquecendo', o tempo passa e sem q a gente perceba vai nublando as lembranças, borrando as recordações, aconchegando a tristeza, e às vezes a gente se pega fazendo um esforço pra lembrar do rosto, do sorriso, do olhar... mas nada, nada acalma a saudade... ela smp se faz presente...

    *-* ;*

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  14. Impossível Dan, não sair tocado com isso. Dan, onde mais pode estar senão lendo essas palavras?
    -
    Lindo texto! Beijos.

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  15. Saudade dói,Dan.
    Onde estás?
    Pq não vens?

    Lindo, lindo, lindo!

    Beijinhos

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  16. Aaaaaaaaa! Tô torcendo pra ele voltar! Juro ^^

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  17. "E onde está você agora além de aqui, dentro de mim..."

    Lindo texto Fê, como sempre, fazendo do teu cantar, o meu sentir ;] Pabaréns *-*

    Ei, Fê, você que faz layout é? :x

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  18. Livro?

    não! seria muita pretenção minha!rs
    bondade sua flor.

    hum, e é suave também ler você.
    dançar tango em sonhos absurdamente lindo, e ao som de Carlos Gardel é perfeito...

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  19. Meu coração vive chamando em silêncio, e doí

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  20. Este comentário foi removido pelo autor.

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