O ESPAÇO É TEU

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26 de fevereiro de 2018


Acordei com o barulho das tuas chaves na porta. Eram sete horas da manhã e eu ainda estava embriagada. Você abriu a porta com todo o cuidado do mundo pra não me acordar. Já te esperava ansiosa, meu bem. Foi muito fofo ver você tirando o sapato na porta pra fazer o minimo de barulho possível. Sua mala azul ficou ao lado da nossa mesa de centro e eu pude ver o cansaço nos seus olhos.

A vida parece muito sem sentido quando estamos longe de quem amamos. Estar sozinho para algumas pessoas é algo insuportável. Não posso dizer que sempre foi fácil pra mim, pois não foi. Não é. Depois de algum tempo a gente começa a aprender como aproveitar a solitude.

Enquanto eu esperava, corri. Corri muito. Uma maratona ou duas, talvez. Correr relaxa a mente. Cansa o corpo. Faz os pensamentos irem pro seu lugar. Ajuda a ter resistência física e sentimental também. Entenda, não falo daquela resistência chata que algumas pessoas tem em dizer que não precisam de ninguém. Na verdade, todo mundo precisa de alguém, seja um amigo, irmão, pai, precisamos de companhia sim. Mas correr nos dá resistência sentimental, pois enquanto estamos no silêncio – apenas ouvindo nossos músculos – não há como mentir dizendo que algo vai durar se sabemos que não vai.

Você apareceu sem querer. Quando minha vida estava preenchida com muitas coisas. Achei que não teria lugar/tempo para mais alguém. Jura. Aos poucos teu espaço foi sendo construído aqui dentro, e nada deixou se ter importância, você só completou tudo.

A melhor parte de ver você chegar da última viagem de trabalho foi ver você abrindo a janela e logo depois tirando a camisa social que estava usando. O sol batia leve no seu peito e eu via cada uma das linhas do teu corpo. Linhas que, quando fecho os olhos, sei exatamente onde estão. Quando deitou ao meu lado não pude fazer de conta que estava dormindo. Tinha um espaço que estava vazio, cheio de saudade e o dono havia chegado.

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