ODEIO O QUE NÃO TEM QUESTIONAMENTO

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13 de fevereiro de 2018


Eu poderia voltar a falar que nem sempre concordo que dois mais dois dão quatro, assim como não é sempre que gosto do azul e passo a gostar do cinza. É que meu humor tem dessa mania irritante de ser e deixar de ser, gostar e desgostar. Mudar, apenas. Posso também te contar de todas as saudades que moram em mim, que variam entre uma música, uma melodia, um livro antigo e pessoas. É que guardo tudo em uma caixinha de sapato, para revirar o passado de vez em quando e encher o quarto com pó de nostalgia — o que me ataca a rinite e faz meus olhos arderem em chuva.

Posso te contar de tudo que eu sonhei e não realizei, e dos sonhos-pesadelos mais bizarros que tenho noite sim, noite não. Felizmente não sou acordada pela insônia sempre, mas, em troca, sou recheada de sonhos sem pé nem cabeça. Sem começo, meio ou fim. São apenas misturas de cores, aromas e sabores, juntos, num pedaço de nuvem só e então acordo, por ora assustada, por ora com fiapo de riso no canto da boca, por ora com sensação de não dormir direito e, por ora, tudo junto e misturado, numa madrugada que foi arrastada, comprida e comeu todas as minhas horas de sono e o meu bem-estar e bom humor ao acordar.

É tudo coisa passageira, que se esvai na primeira gota de orvalho que a rosa chora. Passa com a canção de bom dia dos passarinhos na minha janela ou com a música favorita a despertar o celular. Nada dura para sempre, me contaram uma vez. Nem os humores, os sonhos, o cansaço. Se deixo um bem-querer no instante que acordo, é contar as horas que se passam para retornar a dormir, voltar à terra dos sonhos inacabados e ser feliz, triste, assustada ou melancólica de novo. É, tudo é questão de tempo.

Mas não concordo que dois mais dois dão sempre quatro. Sou arisca pr’aquilo que é exato e vivo uma guerra interminável com esses números que rondam a minha cabeça nessa profissão maldita que resolvi seguir. Eu gosto? Gosto, mas sinto-me desafiada a tudo que não tem questionamento, a tudo que me diz é assim e pronto. Não, gosto é de pensar. Das interpretações diversas que variam com meu estado de espírito. Se sou cinza, se sou azul. Muda. Quer saber? Eu fico com as palavras...





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