para um pisciano

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8 de fevereiro de 2018

marina-kon

Ainda que eu não conheça sua verdade, ela me toca com inocência de quem não sabe tocar. Sinto que carrega consigo a plenitude de tudo o que é breve, desde os instantes dos dias comuns, banais para serem lembrados, até as conversas macias de travesseiro. Seu amor parece rosa que nasce e seca sem nunca desflorescer. É flor que desabrocha na imanência das coisas efêmeras. Vejo em seus olhos pequenos espaços de quem não se cabe no corpo. Seu olhar simplesmente desnuda o peso das máscaras ou mesmo das roupas.

Você tem uma leveza de pena que mal se sustenta na gravidade, por sorte eu nunca tive medo de altura. Admito apenas o receio de suas fibras serem impermeáveis aos meus cuidados de água que flui pelos espaços vazios de quem já se sentia preenchido. Tento dizer o inefável, perdoe-me. A poesia sempre foi minha fraqueza.

É difícil desfazer-se de velhos hábitos quando se tornam sua singularidade. Eu entendo, pode ser invenção de um ser nada mais que utópico, mas o gostar a gente não explica. Eu o quis quando não queria mais ninguém, mesmo que viver sem paixões nunca tenha sido do meu feitio. Arrisco dizer que nem do seu. Troquemos silêncios. Deles surge uma estranheza que é confortável.

Viveremos a liberdade que traz o anonimato quando mantemos as cortinas fechadas. Bom é desfrutar de um pouco de normalidade da nossa época sem que ela consuma nossa loucura. Seremos só mais um, então? Mais dois.

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