SE EU PUDESSE ENVIAR CARTAS AO CÉU

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8 de fevereiro de 2018

indi-passos

Linda flor, era assim que eu iria começar a carta, se entregassem cartas no céu. Não tenho ideia se a leria, mas eu queria muito que você soubesse que me passa um filme na cabeça ao escrever para você. É que definir um sentimento fica difícil, o último encontro foi meio conturbado, tinha muita gente ao redor de ti. Quem me dera ter poder pra chegar ali no ouvido de Deus e dizer o quanto Ele foi bondoso ao nos trazer essa joia rara, que alguns chamam de mãe e eu tive o prazer de chamar de vovó. E ainda terei, pena que você não estará por perto pra dar aquele sorriso gostoso e me apertar as bochechas. Me perdoa as vezes se, em algum momento, eu esqueci de dizer o quanto você é importante, ou aqueles dias em que não pude te visitar, ir ao teu encontro, pois estava cheia de coisas que eu considerava prioridade (eu estava errada). Mas saiba que nunca me esqueceria de você, do seu olhar terno, da prece em silêncio, de quando você dizia: ‘Vai com Deus!’

Eu fico lembrando da benção sem eu pedir, do afago pra eu dormir, de como você me olhava no fundo dos olhos e descobria o meu maior segredo, me aconselhava com um gesto materno e do seu colo eu não queria fugir. Rainha das mãos calejadas, de um sorriso cansado, mas feliz, sossegado, de um vida dedicada a servir. Eu desejaria um dia a mais, um ano a mais, a eternidade a você e, se me fosse permitido um desejo, aqueles de gênio da lâmpada, ou das histórias de santos, aquelas em que era concedida a graça nos terços que a senhora rezava lá na roça. Ah! Vó! Eu juro que não teria outro texto que saísse de minha boca, que não fosse: ‘me dê só mais um segundo com ela!’, para que eu pudesse te olhar nos olhos e correr pro teu abraço apertado, pro teu sorriso cansado, pra te pedir a prece em silêncio, pra sair pelo portão e ouvir: ‘Vai com Deus!’. Nem que fosse a última vez, só para eu gravar essa cena em minha memória e ter a chance de sentir tudo isso outra vez, esse amor infinito, que é o amor mais bonito, que vem do colo de Deus.

Bem que podia ter correio no céu, nem que fossem aqueles anjos com uma pastinha nas costas e levassem esse texto até você. Ou talvez me deixassem te abraçar um pouquinho. Paciência com os serviços celestiais, certeza que Deus te arranjou um lugar maneiro, deve ter até uma cozinha com o fogão à lenha. Assa uns pão de queijo daqueles que você fazia com ovo caipira e aquele café preto.

Quando der, chego aí pra colocar a conversa em dia. Um cheiro.


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