DOEU, DOEU DEMAIS

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13 de março de 2018


Naquela noite, já me consumia a saudade de você, então resolvi te escrever uma carta — sim, eu ainda escrevo cartas, pra falar de sentimentos. Era uma noite de calor, muito calor — ou talvez fosse só calor emocional. Lembro que minhas mãos suavam ao escrever.

Sabia que,  talvez, seriam minhas últimas palavras “trocadas” com você, mas não as últimas que iriam conter fragmentos seus. Resolvi te falar tudo que sentia, tudo que você precisava ouvir ou, talvez, eu só precisasse falar naquela hora. Escrevi cada palavra como se estivesse cara a cara com você. Comecei a imaginar toda a cena, lágrimas escorreram na minha face deixando manchar um pouco o papel, carregado de palavras saudosas. Estava dando adeus a alguém que não queria que saísse, jamais, da minha vida. Alguém que do nada se tornou meu tudo. Despedidas não são legais, mas no nosso caso foi necessário. O deixar ir de um e o ir do outro, talvez não significasse dizer que o amor acabou. Às vezes foi preciso deixar acontecer, mas a saudade não me deixava concordar em ter que dizer adeus.

Naquele momento nosso laço se desfez, como duas mãos que aos poucos se desprenderam. E doeu, doeu demais.

O sentir desse sentimento intenso e angustiante me assustou. Não imaginava o efeito que você tinha sobre mim, até ter que te dizer adeus. Achei que saberia lidar melhor com essa situação, mas tudo aconteceu de maneira contrária ao esperado, nada mudou por aqui, ainda espero, ainda lembro, ainda... Droga! Eu sinto sua falta. Eu sinto muito sua falta.

Eu não tinha culpa das circunstâncias e nada poderia ser diferente, contudo, essas palavras seriam em vão. Abri a gaveta e guardei o que havia escrito. Palavras nenhuma te traria de volta se você não quisesse voltar, mas daria uma boa história para a página 30 do livro que comecei a escrever.



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