icones sociais

EMPAQUEI NA NOSSA HISTÓRIA


Eu sempre fui boa em virar a página. Quando alguém resolvia sair da minha vida, tudo bem. Segue o baile. Até a próxima. Sempre foi tranquilo me despedir, porque entendo que tudo é cíclico, sabe? As pessoas ficam o tempo que foram predestinadas a ficar e tudo bem. Até que esbarrei em você, até que nossos caminhos trilharam lado a lado, até que, de repente, a gente precisou seguir direções opostas e eu, que sempre fui boa em virar a página, me via lendo e relendo teu capítulo.

A bem verdade é que aquelas pessoas que são difíceis de esquecer — ou melhor, aquelas das quais não nos esquecemos — foram as que nos transformaram numa versão delas mesmas, do tipo que viramos uma parte delas por conta da convivência. Acho que você deixou tanto de ti comigo e levou tanto meu contigo que, te esquecer, é como esquecer um pouco de mim também.

Você não ficou só nas músicas que falam de nós. Porque até no jeito que sento para assistir TV, pareço um pouco contigo. Com exceção de sempre me lembrar de pular os canais que passam os programas que eram nossos – a este hábito não pertenço mais. Te percebo na minha forma de pegar a direção do carro. De ir para cozinha, fazer o jantar. Até nas roupas que deixo sem passar. Parece simples, bobo, mas não é, eu vivo relendo teu capítulo. Tuas manias – que algumas insistem em refletir feito espelho em mim.

Carrego tanto de ti que, sua ausência física se tornou rasa, perto da presença constante nos passos que insisto em dar. Ao lado da insistência de escrever nas páginas em branco estas cartas endereçadas a tua casa – estas mesmas que, não vou enviar. Ao passo que, quanto mais o tempo passa, mais enraizado fica este sentimento (que também podemos chamar de incerteza).

Será que, algum dia, você vai passar?

Será que, algum dia, essa página vai virar?





Instagram