ESQUEÇA DE ME PONTUAR

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21 de março de 2018


Eu sabia de cor todas as tuas entrelinhas, mas acho que desaprendi a ler você. N’outros tempos eu era a tua melhor personagem e eu devorava tuas rimas como quem busca ar depois de um mergulho: pura urgência. Você me (d)escrevia em cada poesia, em cada texto, em cada trecho e eu me despia inteira, me (re)fazendo toda — e tua. Você mudou de tom. Onde antes havia uma exclamação, agora só vejo ponto final. Tua rima está toda pontuada, e eu não sei quando foi que você começou a me pontuar.

Ei, deixa pra lá toda essa história de pontuação. De ponto em ponto, acabamos nos perdendo entre nós que já não falam mais sobre nós. E você sabe que um ponto final nem sempre é o fim. Após um ponto final pode haver espaço para se colocar uma nova letra maiúscula; o início de um novo capítulo, ou, no nosso caso, o recomeço de algo que se perdeu entre as vírgulas da desatenção.

Você sempre será a minha melhor personagem. É que, às vezes, eu me perco tentando nos colocar sempre na mesma página. Se você quiser, eu até começo a te (d)escrever sem pontuação alguma. No fim das contas, não me importam as vírgulas, os pontos finais ou exclamações. Basta que o nosso amor esteja sempre completando a mesma frase.

Plural da Mafê com o melhor do mundo, Ressaca Imoral

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