NÃO ME ACOSTUMEI AO QUE RESTOU DE NÓS

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16 de março de 2018


Eu disse que estava cansada e precisando de férias, você logo soltou “vamos pra praia?”, falei sim sem nem pensar duas vezes. Conversei no trabalho, consegui uns dias para passar do teu lado. Fiz coxinha vegetariana pra gente. Demos banho nos filhotes e entre um episódio e outro de The Sinner, escolhemos a praia e a hospedagem – na verdade, entre um comercial e outro de A Força do Querer, que era mais um de nossos vícios.


Alugamos um quartinho no litoral, enchemos o tanque do carro, coloquei aquela playlist que você enjoou pra tocar e nas duas horas e meia seguintes nós conversamos sobre tudo. Cê tava no banco do passageiro, tão linda. Sempre te achei linda. Eu sentia que nada faltava ali, naquele instante, você e eu de encontro ao mar.

Toda vez que eu te olhava eu via um mundo, o seu mundo – o nosso mundo. As nossas piadas, nosso jeito de conversar, nossa mania em MEMES, nosso gosto por cozinha e gordices. A torta que você sempre fazia, porque sabia que eu amava. Eu te via como amor, do sentimento mesmo, sabe? Porque nossas descobertas no iFood, ou optar por ficar em casa pra aproveitar mais o tempo junto, tudo era muito lindo pra mim.

Sabe, amor, eu tinha em você tudo o que eu sentia. Tudo o que um dia pareceu distante, naquelas decepções rasas e passageiras. Você me tirou o medo de amar – quando eu só conseguia amar a mim. Você me regou de sorrisos e diversão.

Só tem uma pergunta que ronda minha cabeça, há meses, todos os dias ela aparece. Assim como você, que me vem o tempo todo. Sabe quando se compra um carro, ou se quer um, e onde quer que você vá lá está um igual? Até você se acostumar com a ideia, ou deixar pra lá, sempre vai passar diante dos olhos aquele mesmo carro, de mesma cor. Assim é com você. Não me acostumei a saudade, a falta, a ausência. Tampouco ao que nos restou. Que foi nada. Nada é pouco demais pra mim. Isso não é você, eu sei que não é.

Tentei lutar contra os pensamentos, até perceber que quanto mais eu nadava, mais longe de chegar a praia estava. Então, te abracei, amor, dure o tempo que durar. Esteja aqui o tempo que for necessário. Porque deste guarda-guarda roupa não vou te arrancar. Nem das músicas que ouço, ou dos filmes que deixei de assistir porque não tem graça não fazer comentários com você. Coxinha? Nunca mais fiz, por mais que a vontade tenha aparecido algumas vezes.

É que você nunca foi como um chaveiro que quando quebra é só trocar. Você sempre foi a chave.

E meu peito, sempre seu.


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