PARA UM CANCERIANO

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1 de março de 2018


(Des)consolo: As lágrimas são o ápice da minha vulnerabilidade. Elas descem e o sal vai saindo do corpo na sua forma mais pura. É dor sólida, que se fez líquida, que se fez passageira. Estranhamente não tenho conseguido mais chorar, mesmo que triste. A saudade é a falta. A falta os olhos não veem e talvez por isso não queiram chorar. Mas não chorar dói bem mais que o próprio choro. As lágrimas machucam a pele pela sua constituição, mas a secura do rosto é sal cristalizado que não teve escape. É pedra que se incrustou no peito e fez dele rocha impenetrável. Chorar é tristeza. Não chorar é ainda mais triste, pois a lágrima que não cai é a que fica.



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