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O dia após o fim do mundo

COLAB
texto de Mafê Probst e George Huxcley (@huxcley)

Depois de certa idade vamos ficando naturalmente mais descrentes. Não se trata de insensibilidade, mas de senso do seu lugar no mundo mesmo. Quantas vezes o mundo pareceu acabar e houve outro dia? A gente acaba criando anticorpos. Mas será mesmo que devemos ter essa certeza que haverá um dia após do fim do mundo? Será que isso não nos faz deixar de viver o hoje da forma mais intensa? Será que ser adulto é mesmo ter essa certeza que amanhã estará tudo bem? Onde será que foi parar aquela coisa inocente adolescente de para sempre?

CORTES E CURAS


Lembro com precisa exatidão das últimas vezes em que fui ao salão cortar o cabelo. Ombros rígidos, mãos frias e quatro palavras que movimentavam meus lábios com insistência: só três dedinhos, moça. Olhos que tentavam ver por entre as mexas jogadas para frente e teimavam em querer acompanhar movimentos que o pescoço não podia fazer. Só três dedinhos, moça. Três dedinhos. Era uma súplica, um cilício encravado em silêncio. Era uma oração: só três dedinhos. Três. Por favor, moça.

VOU SENTIR


São três da manhã. Preciso acordar muito cedo, mas só consegui acabar o último episódio agora. Fiquei parada alguns instantes olhando para o teto, pensando em tudo que havia acontecido com Hannah Baker e cheguei a conclusão de que sou ela, às vezes. Só às vezes.

APRENDA A DIVIDIR TUAS DORES


Vejo teu corpo sentir o cansaço destes dias profundos que se arrastam sem se findar. Vejo você se entregar a cama quando a noite cai, na tentativa vã de silenciar cada pedaço do teu corpo que pensa sem parar. Teus porres a conta-gotas de nada servem, nem para anestesiar o barulho, a bagunça e a poeira que insiste em não baixar.

A GENTE NÃO TEM CONTROLE SOBRE TODAS AS COISAS


Dois anos. Ou pouco mais, não sei. Só sei que fazia tempo — muito tempo — que eu não me sentia assim. A gente tem a ideia de que sabemos dominar a mente e o corpo, mas a vida vem nos mostrar que não é bem desse jeito. Eu parei para respirar como há tempos não fazia. Eu senti a pupila dilatar, a boca secar, os olhos se encherem de lágrimas idiotas e as mãos tremerem sozinhas. Era um princípio de crise de ansiedade – velha companheira.

SE EU FAÇO, É POR AMOR


Tô aceitando que você não compreenda, não entenda e até me julgue por isso, acontece que eu não posso te dar mais qualquer satisfação pelas coisas que eu faço, quais são os meus motivos. Enxergar um pouco melhor que você eu consigo e eu sei também que não posso te pegar pela mão e te obrigar a ficar comigo.

Preferi acabar sim. Preferi te deixar ir, afinal, eu te vejo tão distraído a ponto de não entender como uma pessoa como eu entraria na sua vida para fazer sentido.

PARA UM VIRGINIANO


Já estava me acostumando com a impunidade de quem desperta o amor e não se deixa ser amado. Foi quando você chegou e despertou o amor em mim e em si feito inspiração, que não escolhe a hora certa de aparecer. Logo colocou para dormir minhas lágrimas acostumadas a percorrerem tantas vezes o caminho de dentro para fora.

DAS COISAS QUE QUIS TE CONTAR


Esqueci de dizer que me apeguei. Não se assuste, não de um jeito possessivo, apenas me acostumei a ver esse seu riso vez ou outra na semana e, sabe lá quando, aos finais dela. Esqueci de te contar que adotei esse seu jeito de morder o lábio, quando insiste em me contrariar quando eu conto alguma situação ou tento fazer mais um piada e te fazer rir. Também esqueci de dizer que sou péssima com piadas, mas isso você notou de cara, no entanto acho que você deve concordar que sou boa com ironias; e não por ser uma pessoa sem graça e de mal com a vida, longe de mim, é só uma mania que aprendi para as vezes fazer graça — e até que dá certo.

URGÊNCIAS MINHAS


'tô devorando Caio com uma urgência desconhecida. N'outra época devorei também, mas não com tanto afinco. Hei, calma. É só literatura. 'tô falando do Caio Fernando, sabe? Fico numa transição frenética entre textos e frases, frases e trechos. Acho bonito que, mesmo sem os devidos créditos, sei reconhecer quando o trecho é dele. Dele quem? Do Caio. Do Caio F. 'tô meio precisada dessas leituras que me transformam do lado de dentro. Tem algo nas linhas do moço que me revira inteirinha do avesso, sabe lá como. É a forma, acho. Das linhas. Das letras. Das frases. O jeito como as coisas se juntam, a maneira como tudo fica numa coisa só, como tudo se transforma numa coisa só. Vezenquando. Falta contexto às vezes. 'tô lendo e relendo para entrar nas entrelinhas e respirar o significado de tudo. Parece que 'tá meio inconclusivo, mesmo percebendo o ponto final. Ou 'tá concluído demais, apesar das entrelinhas, apesar das reticências.

ENCONTREI DENTRO DE MIM O QUE ME FALTAVA


Já me disseram algumas vezes “você precisa sair da toca, o que está acontecendo?”.  É que o silêncio incomoda, sabe? Porém, tem sido tão necessário, quanto respirar. Assinei minha liberdade quando escolhi me afastar de pessoas tóxicas, que não respeitavam meu espaço. Que sugavam minha energia e que jogavam para o ralo a reciprocidade.

Quando capítulos se encerram, é normal que a vontade de se guardar aumente. Nós somos humanos, e não há mal algum em assumir fraquezas e sofrimentos. Enquanto houver força para enxergá-los, senti-los e ver que está tudo bem, que na hora certa vai passar.

SER JOVEM E A PRESSA DE EXISTIR

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Ser jovem é ter pressa de existir. Fome de viver. Urgência em acontecer. É querer tudo ao mesmo tempo. Acordar com sonhos e dormir com realizações. Calma.  A vida pede calma, o tempo pede calma. Não que esta inquietação juvenil seja ruim, porém, pode alimentar a ansiedade social que propicia frustrações, depressões e depreciações.

DESSA VEZ FOI DIFERENTE

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Nós nunca sabemos a hora que vamos nos apaixonar por alguém, nem quantas pessoas vão ganhar nosso coração ao longo da vida. Fazemos planos, imaginamos um futuro, cada pessoa que chega nos faz viver aquele momento como se ele nunca fosse acabar e, assim, colecionamos amores ao longo da vida. Cada um com sua história, com seu tempo, com sua característica. Em alguns arriscamos sabendo que não vai dar em nada, outros imaginamos um tudo e nada acontece. Uns tem mais história que o outro, que vai marcando de algum jeito nossa vida, seja na hora da saudade, no pensar do “poderia ter sido diferente” ou nos ensinando a nunca mais cair em roubadas. Porque vamos combinar, esse lance de paixão nos mete em cada uma...

SOBRE O QUE DIZ MEU SILÊNCIO


Eu te acho uma tola por ficar ressentida quando não me ouve pronunciar o que sinto em alto e bom tom. Você já me conhece o bastante pra saber que em meus lábios há mais beijos do que palavras. E nem adianta me observar de esguelha com teus olhos redondos e nervosos, enrugando a testa e sacudindo o pé com força, pra demonstrar o quanto está irritada. Não adianta fazer um coque no cabelo, vestir o pijama branco de bolinhas pretas e colocar os óculos de grau pra assistir à TV, só para me mostrar (como quem não quer nada) o quanto é possível ser linda em cada pedaço de normalidade. Porque ainda assim, eu te acho uma tola. E olha que não estou nem considerando o fato de você querer me obrigar a chamar as bolinhas pretas de “poá”.

A PLAYLIST QUE VAI MUDAR SUA VIDA


Hey, gente!

Talvez você vai achar que isso foge um pouco da linha desse blog lindinho, certo? Errado. Música é, na maior parte do tempo, a minha gastação de tempo favorita. TUDO – quando eu digo tudo, é tudo mesmo – na minha vida tem música. Cada momento, seja o meu primeiro beijo, meu primeiro porre, uma discussão em casa ou até um simples rolê no centro, é embalado por uma trilha sonora.

Como todo mundo na vida, eu tive minha fase roqueira, vibe positiva, bad vibes e por aí vai. Não posso dizer que uma música me define por completo, mas sim, que uma determinada música define o período em que eu estou vivendo. Hoje em dia, posso dizer que preciso_de_férias_por_favor. mp3 é a música que mais estou escutando.

Aí vai uma lista com as 10 músicas que eu mais ouvi no último ano e  porque ela merece um lugar especial no meu coração – juro que sem muitos rodeios.

NÃO DÁ PARA SER FORTE O TEMPO INTEIRO


Às vezes a gente desmorona.

A vida tem suas trapaças. Envolve-nos nas suas horas e nos engana enquanto nos enche de rotina. Aceitamos tudo e mastigamos esse desenrolar, quase sempre sem ver a vida passar. Crescemos sem nem perceber. Num instante somos crianças de brincar na rua, n'outro somos formados, criados e tendo que nos levar nas mãos. Num instante temos vários pares de mãos, prontos para nos segurar, n'outro tempo a gente cai e se levanta, porque não há ninguém para nos levantar.

(...)

APRENDA A TE OLHAR


Tudo o que você tiver para fazer na vida, faça com o coração. Porque o coração não espera nada em troca, é o cérebro que necessita de reconhecimento. O coração não sente raiva por si só, é a razão que costuma manipular os sentimentos. O coração é nobre, é puro. E é por ele que tens que te deixar guiar.

PASSEI EVITAR CERTOS SENTIMENTOS


Eu relutei a escrever sobre você porque todas as outras coisas me pareciam mais importantes. Não entenda mal, é que eu passei a evitar certos sentimentos com medo de sofrer. Infelizmente a gente tem dessa, por conta de determinadas situações nos privamos de experiências futuras que poderiam nos mostrar justamente o contrário.

Tentei me afastar e manter segura quanto a esse sentimento. Que eu te amo é bem verdade, mas tentei colocar esse amor como segundo plano para que a tua partida não me fizesse parar por alguns dias na minha trajetória. Superar é difícil. E no passado foi tão mais difícil que eu me entreguei por alguns meses à fase de reciclagem – eu não sabia o que fazer com aquele amor que tanto foi e precisou deixar de ser.

EU ESTAVA COM SAUDADES DE ADMIRAR VOCÊ


Não sei que rumo a vida tomou para que um hiato se instaurasse entre a gente. Acho que relacionamentos têm disso de ser montanha russa e sofrer umas quedas bruscas de vez em quando, roubando nosso fôlego de forma nada agradável. Eu podia pincelar um mundo cor de rosa, mas eu gosto desse tom tão real que tem nossa rotina, então não vou colocar frufrus onde nem sempre tem.

PARA UM CAPRICORNIANO


Nada tenho a lhe oferecer senão um coração. Posso garantir-lhe que é um dos bons e por isso mesmo sangra ao mais sutil toque. Nada mais tenho. Meu coração talvez lhe renda alguns trocados, não muito, seu valor sofreu acentuada queda com o passar dos anos. Um bom coração não vale nada nos tempos de hoje.

VOCÊ NÃO É MEU EX


Por mais que tenha alguma experiência que me faz lembrar, você não é. É completamente diferente do que eu já julguei ser. É completamente inesperado do que eu já tentei ou ousei pensar de você... Até você aparecer.

Se eu for comparar tudo o que eu já passei, também sei que não sou mais a mesma e daqui pra frente, mesmo sem saber o que vai acontecer, tá na hora de colocar tudo na mesa e dizer o como você mexe comigo, por incrível que pareça.

EU TÔ TENTANDO, PÔ!


Estou tentando, pô! Todos os dias ao abrir os olhos, eu começo a tentar. E não é fácil, você sabe. Lembro com todas as letrinhas o dia que você me pediu para parar de olhar para os outros e olhar para o lado de dentro. Não é fácil, entende? Não vem sendo fácil, mas tento todos os dias. E escorrego em quase todos eles, seja em algo grandioso ou, comumente, em algo não. Mas o fato é que vira e mexe me pego pensando na opinião alheia, me pego soltando ideias para aprovação alheia e me pego mudando de planos porque a geral não pensa como eu, a geral quer que eu mude e eu, fraca como sou, vou lá e mudo. E me arrependo. Vê a diferença? Vê como estou tentando?

SER TRAÍDA FOI A MELHOR COISA QUE ME ACONTECEU.

gisella

Você deve ter se assustado com um título desses, né? "Essa doida não sabe a merda que está falando" — pode ter sido seu primeiro pensamento. Acontece que eu sei e muito bem. Sei como ninguém e sei como todo mundo que já foi traído pela pessoa a quem deu o amor que julgou merecer. Eu sei, na pele, o que é olhar nos olhos de quem disse te amar e no mesmo segundo que você levou para dar as costas, foi correndo pros braços de outra pessoa. Sei como é depositar a própria vida num relacionamento achando que seria eterno — porque até quebrarmos a cara é isso que acreditamos que devemos fazer — e no instante em que o fim se confirma sentir que perdeu essa mesma vida, que está passando por uma quase-morte sem fim e pior, de olhos bem abertos. De repente não existe mais relacionamento, não tem mais chão, o ar sumiu e não há força alguma para atravessar um segundo, que dirá um dia inteiro. E é justamente por ter passado por esse abismo que eu digo e repetirei quantas vezes puder: ser traída foi a melhor coisa que me aconteceu.

E AÍ GURIA? (CARTA DO TEU GURI)


Fala guria, tudo bem? Está certo que ainda não nos conhecemos, mas de alguma maneira eu te amo de tal maneira que não dá para explicar. O formato do seu sorriso é a coisa mais inexplicável do mundo. Agora eu posso estar na frente da sua porta, sentado, esperando você ir para o seu estágio, reluzente como quem pode mudar o mundo, ao toque mais sensível do seu olhar.

A DOR PRECISA SER SENTIDA


Com a cabeça encostada sobre o travesseiro pensei em tudo que vinha acontecendo e, na companhia da minha saudade, chorei. Chorar foi a única coisa que me sobrou, já que todo resto era saudade e lembranças. Não foi escolha minha desistir de tudo, não foi escolha minha ver você e todas as suas coisas saindo pela porta da frente sem ao menos olhar pra trás. Não foi escolha minha achar que não valia a pena tentar. Infelizmente não podemos controlar as escolhas do outro, mas o que me faz chorar não é o fato de não poder controlar suas escolhas e sim o fato de não ter percebido que estávamos chegando a esse ponto e, ainda mais, por estar me culpando por isso, quando a escolha não partiu de mim.

SOBRE A AUTOESTIMA QUE ENSINARAM-ME A TER

Leia ao som de Be mine

Em alguns dias da semana as coisas parecem mais fáceis, né? Tipo a sexta-feira. Mano, como eu amo esse dia. Quase fim de semana, tudo bem que o fim de semana é corrido pra caramba em algumas ocasiões, mas geralmente no trabalho a gente já adiantou as coisas pra não ter muito pra fazer. São quatro horas e eu já estou pensando na praia. Por que a gente não vive todos os dias com a alegria da sexta?

O COLECIONADOR DE SONHOS


– Ferrugem – disse sem pestanejar.

Demorei-me ainda alguns segundos naqueles olhos verdes feito a paisagem dos arredores da vila durante a primavera. Eles ganhavam vida ao contrastar com a pele castanha, lembrando-me as folhas coloridas caídas no campo arado, quando os primeiros raios de sol do dia vinham denunciar sua presença e despertar os resmungos do meu pai. Ela era mato e era terra, quiçá toda a natureza, e por um momento eu senti até que poderia chamá-la de mãe, não fossem seus treze anos recém completados e o meu coração dançando num ritmo longe de algo maternal.

SIM, USE E ABUSE DA POSSE


Não lembro bem o que estava fazendo quando parei para refletir sobre os pronomes possessivos. O meu. O minha. Não de uma forma genérica e geral, mas o pronome que antecede o amor, linda, paixão e qualquer outro adjetivo carinhoso utilizado por casais apaixonados ou amigos (eu, pelo menos, chamo algumas pessoas de ‘minha linda’).

Era isso.

A PORTA ESTÁ ABERTA PARA VOCÊ


Para ler ao som de – Te vi na rua ontem

Desde que você apareceu, alguns dias atrás, passei a pensar ainda mais em ti. E nas palavras que ficaram por dizer. No meu medo de falar do passado, desenterrar coisas que já não tem mais tanta importância, porque vai que, voltam a ter. Medo de engatar uma conversa da qual eu não conseguiria me expressar de verdade, por agir no impulso do momento. Preciso de tempo para absorver tudo, pensar e, então, falar – sou assim.

PARA LER QUANDO O CORAÇÃO DOER


Sei que nenhuma dessas palavras vai fazer sentido agora, mas, na verdade, nada vai fazer sentido durante alguns dias. Sei que você vai chorar até se inundar. Vai se questionar porque, vai querer saber o porquê, mas não vai encontrar. O travesseiro vai se tornar o seu melhor amigo. O chuveiro vai servir de escape para os momentos que a dor quiser extravasar. Você vai chover tanto e vai achar que o tempo passa bem mais devagar quando ele tem a função de curar.

NÃO CUSTA NADA LIGAR DE VOLTA


As pessoas deveriam parar de brincar com os sentimentos alheios, e eu não estou falando de relacionamento a dois, nada disso. Analisando a atual situação política, social e econômica do país, meu texto hoje vale como um desabafo para as pessoas que trabalham com recrutamento de pessoas, o famoso RH. Você já parou para pensar a quantidade de pessoas que estão desempregadas e que espalham currículos para todos os cantos em que se é possível? É meu caro, a situação não anda nada fácil, mesmo com milhões de qualificações, cursos online, inglês, francês, italiano e o que mais for possível cursar, tem muita gente que ainda não conseguiu se inserir novamente no mercado de trabalho e acaba tendo que se virar na informalidade para pagar as contas.

PARA UM ESCORPIANO: RECAÍDA


Talvez tivesse dado certo em outro momento, em diferentes circunstâncias, em outra vida. Talvez tivesse dado certo se eu fosse a pessoa de agora e você ainda fosse o mesmo rapaz de antes. Ou quem sabe eu a moça de antes e você a pessoa em que se tornou. Mas não deu. Estávamos separados pelo tempo, pelo destino, pelas falsas escolhas. Quando se é fadado a ser só, simplesmente é.

O QUE MUDOU EM TRINTA SEGUNDOS?


Se você está esperando um texto motivacional falando de todas as possível mudanças que acontecem na nossa vida em trinta segundos, sinto em te derrubar do cavalo, mas aqui vamos falar do novo álbum "America" da banda Thirty Seconds To Mars e que sugiro que você ouça o mais rápido possível.

DIZ PRA MIM QUE SE LEMBRA


Ela abre os olhos pela manhã e fica por minutos eternos observando o teto. Olha para os lados a procura de um sentido, uma razão para levantar, pegar aquela roupa legal que combina com seu dia e ir preparar o café. Mas em sua vã procura, levanta-se pega a primeira peça de roupa, a mais confortável independente da aparência, puxa sua bolsa e no café coloca o triplo de pó necessário, e o dobro de açúcar. Faz a mesma careta habitual de toda manhã ao sentir o gosto do amargo café. Mas seria apenas o café a estar amargo?

DESABAFOS DE UM DIA CINZA


Sempre morei em casas razoavelmente grandes, daquelas com quintal, com árvores cheias de frutas, com jardins. Depois vieram os apartamentos que, por mais simples que fossem, sempre tinham uma cobertura a céu aberto, um playground, um lugar pra ir quando as paredes parecem encolher, sabe? Sempre corria para os tais "cantinhos de paz", quando tudo ficava difícil demais e a ausência de lugares assim faz com que eu me sinta como bicho em cativeiro. Me sinto menor a cada dia e os cômodos tem diminuído mais rápido do que minhas pernas, tentando escapar de tudo que berra do lado de dentro.

EU ACHEI QUE ERA AMOR


A gente se esbarrou por uma coincidência da vida. Entramos no mesmo bar, na mesma hora e conhecíamos as mesmas pessoas. Você puxou um banquinho e se sentou ao lado meu, eu te estendi a mão e um sorriso. Teus olhos roubaram a atenção dos meus e, sem me dar conta, eu já estava fixada na tua. Você pediu um chope, eu pedi outro.

— Achei que você pediria algo mais feminino. — você disse. Eu cancelei o chope e pedi uma taça de vinho, ignorando o calor. Teu riso irradiou para mim e eu acabei sorrindo também – mais uma vez sem me dar conta.

E SE VOCÊ TIVESSE IDO ME ENCONTRAR?


O coração estava pulsante e o desejo latente. A nossa história sempre foi um quebra cabeça sem fim. Mas alguma coisa me dizia que aquele momento seria o nosso divisor de águas e, tanto pensei, que foi. Um horário definido, um local, e eu. Eu com um coração cheio de sonhos e a esperança de que ainda haveria salvação para nós dois.

PERMITA-SE APAIXONAR


Por que as pessoas tem tanto medo de se apaixonar? Sério, estar apaixonado(a) é uma das melhores sensações do mundo. Não consigo nem explicar o quão bom é essa fase. Quando eu digo "fase" é porque, infelizmente, elas não costumam durar para sempre — mas vai por mim sempre há exceções. Por isso eu não entendo o medo das pessoas. E eu não estou aqui para julgar escolhas e opiniões, afinal, elas não intimamente individuais. Em relação à isso eu só posso falar de mim.

TENTATIVA E ERRO


Somei mais um início de texto. Vou chegar ao fim, penso, e quase desisto. Confesso que tentei escrever linha debaixo de linha, falar pouco e dizer nada. Ou tudo. Depende. Vê, sempre depende. E as imagens jorram todas, duma só vez, em flashes rápidos na minha mente, dando-me mil e uma possibilidades de escrever e, nem assim, me conformo. É o tal do quê, que sempre falta.

AQUILO QUE NUNCA FOI NOSSO


"Você é romântica demais. Eu não sou assim."

Enquanto ouço essa música maravilhosa, penso em você (mesmo que você não mereça uma trilha sonora tão boa como esta, meu bem) e na última vez que nos vimos. As coisas sempre foram de um jeito único com a gente, mas isso nem sempre quer dizer que foram boas ou ruins. Na verdade, foi tão diferente quanto o ar em uma montanha russa. Uma hora tudo é calmo, no momento seguinte tudo desaba. Acho que foi isso que me fez insistir tanto tempo.

O CASAMENTO, O FACEBOOK E A FALHA DE DARWIN


No princípio, os homens primatas saíam para caçar e defender o clã dos inimigos. Exibiam sua força e masculinidade, soltavam grunhidos horrendos e voltavam para o bando ao fim do dia, vangloriando-se. Enquanto isso, as mulheres faziam a limpeza da caverna, cuidavam dos primatinhas e assavam carne de veado na fogueira. E disse Darwin: evoluirás. Obedientes, aqui estamos lado a lado, em frente a telas de computadores, tomando cafés industrializados enquanto lemos mensagens instantâneas emitidas de longas distâncias.

O QUE ELA FEZ POR ELE


Ele era daqueles que não se empenhava muito pra nada. O meio termo sempre foi seu ponto preferido. A zona de conforto sempre foi uma das suas melhores companhias. Volta e meia se metia em algumas (tantas) encrencas, daquelas capazes de comprometer boa parte do futuro e dos poucos sonhos que havia cultivado.

A SUTIL ARTE DE LIGAR O FODA-SE


Você já se deparou com um momento na vida em que parece que tudo fica se repetindo — aquele looping — eterno e se perguntou, por quê? Pois bem, tenho observado com mais atenção o caminho que tenho trilhado. E depois de ver tantas coisas se repetirem, tive vontade de fazer algumas coisas de outro modo.

PARA UM SAGITARIANO


Um amor que já estava morto, veio lento, veio longo e se estendeu feito pano na areia. A gente havia se esquecido de que ainda doída aquela dorzinha no canto do corpo de quando se abraça de lado. Era estranho olhar pra você meio de relance e descobrir que amor também pode ser passageiro e que não é menos belo por causa disso. Minha vulnerabilidade por trás da frieza era tão óbvia, você rapidamente se apossou dela. Senti seu toque todo de novo e me pareceu menos distante do que antes. Às vezes amar pouco, é sentir um tanto demais.

SOBRE NÓS DOIS


Encontrei a paz que faltava para entender que nem sempre é no nosso tempo. É quando tem que ser. Para quem ainda não descobriu Deus no coração, entregar as rédeas da vida deve doer, deve ser difícil e incompreensível. Eu sei porque... Também já fui assim. Eu sempre quis ter o controle, não depender, pois afinal... Como alguém poderia entender mais de mim? Mas há sim. Alguém que está acima e pode ver melhor do que ninguém.

COMO PODE TUDO (NÃO) MUDAR?

Eu tenho a feliz mania de me permitir chover ideias, mas o triste hábito de deixá-las evaporar. A mente fervilha de vontades, a determinação corre nas veias por alguns segundos – horas até – mas depois eu deixo minguar. Me falta o foco. Quando me vejo no espelho, as vezes nua outras nem tanto, encaro meus olhos de mel arteiros e fico séria, repetindo mil vezes: foco, foco, foco, foco, foco. Finco o pé, meto um salto, alongo os cílios e (pre-pa-ra!) saio poderosa, decidida, determinada, pronta para pôr em prática todos os trinta e um projetos que tinha desenhado enquanto tomava um demorado banho.

DE FORMA ALGUMA VOLTE PRA MIM


Estou prestes a fechar todas as portas que deixei abertas, todas as portas que você fez questão de nunca fechar em todas as vezes em que retornou e sumiu sem explicações. Estou prestes a deixar que você vá, e agora de verdade. Dia desses resolvi procurar te entender, vi suas fotos nas redes sociais, seu sorriso, seus amigos, suas amigas, sua família… Li os seus livros favoritos e aqueles filmes que tanto insistiu para que eu assistisse. Adivinha? Consegui vê-lo como nunca, e então me dei conta de que todas as tentativas seriam realmente em vão. Éramos tão opostos, não em gostos e anseios: mas em atitudes.

GUARDEI A SAUDADE NA CAIXA


Dia desses eu tentei te escrever uma carta. Sim, uma carta de verdade, não um e-mail ou uma mensagem qualquer, mas uma carta com papel, caneta e uma porrada de sentimentos. Existe uma mágica que acontece quando escrevemos, com pressa a letra sai até meio torta, ou quando estamos com raiva e forçamos um pouco mais a ponta da caneta a letra sai grossa. Em algumas até podemos notar alguns círculos estranhos, como se alguém espirrasse água no papel e, por fim, eram apenas lágrimas que caíram ao longo do desabafo, da despedida, da declaração ou das lembranças. Enfim...

TUDO É QUESTÃO DE ESCOLHA


Eu estou pensando aqui sobre o amor, sobre paciência para com o outro, sobre capacidade de perdoar e notei que temos isso muito fácil no âmbito familiar. E me pergunto: será que isso tudo só acontece com a família por conta da convivência? Por que é sangue do mesmo sangue? Não sei, seria tão melhor o mundo se pudéssemos tratar uns aos outros como família, se o amor, a paciência, o cuidado, o perdão não viesse por questão sanguínea, nem pela convivência, mas que viesse simplesmente da decisão de ser humano para com o outro.

Tudo é questão de escolha.

É UMA VIA DE MÃO DUPLA


Vou te dizer o que penso, embora talvez isso nem importe. Eu costumo ficar muito fatigada de certas coisas e você nem desconfia. Tem horas que cansa, sabe? A gente senta e escuta, a gente abre um espacinho no meio da agenda, no meio do trabalho, no meio da vida só para mandar um alô, perguntar se está tudo bem, se precisa de alguma coisa, se está precisando de alguém para ajudar o tempo a passar... Mas e o contrário? E quando sou eu quem peço para ajudar meu tempo a passar? E quando sou eu quem preciso de alguma coisa?

O PESO DE UMA (IN)FELICIDADE


Nem todas as pessoas que passam por nossas vidas chegam com o intuito de levar algo de nós, muitas vezes, mesmo que não percebamos, elas vêm para nos ensinar a encarar um certo momento com mais perspicácia. Se eu cometo erros na prova de literatura, na próxima irei me dedicar mais até alcançar o objetivo cobiçado e, não tão diferente de leituras a fio para uma prova que algumas vezes tende a ser maçante, temos as “circunstâncias” da vida que nos deixa sem fôlego durante o caminho.

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