APRENDA A DIVIDIR TUAS DORES

|

27 de abril de 2018


Vejo teu corpo sentir o cansaço destes dias profundos que se arrastam sem se findar. Vejo você se entregar a cama quando a noite cai, na tentativa vã de silenciar cada pedaço do teu corpo que pensa sem parar. Teus porres a conta-gotas de nada servem, nem para anestesiar o barulho, a bagunça e a poeira que insiste em não baixar.

Pequena, olhe a Mim, não persevere em carregar todos estes pesos só. És forte, eu sei, mas aprendas a dividir. Divida a dor Comigo, pois sei que há de transbordar quando fores alegria. Encara no espelho estes teus dias de luta, que marcam teu rosto e teu corpo com cicatrizes que quase ninguém vê.

Vê? Que estive sempre aqui, a segurar-te, guiar-te e sem te abandonar. Não ousei desamparar-te segundo algum. E quando se sentir só e sem ninguém no mundo, quando bater forte a dor de todas as faltas, lembra-te de que há de faltar sempre uma parte, um abraço, um ouvir, um entrelaçar de mãos – que far-te-á ausência, no entanto, transformar-te-á em alguém muito melhor.

Enxergo em tuas entrelinhas o valor que dá ao que é peculiar de cada ser, isto te faz ainda mais especial aos olhos meus. Teu silêncio é audível a mim. E tua imaginação solta e fluída, dar-te-á esperanças neste teu renascimento tão íntimo. Nem se eu quisesse carregar todas as tuas dores eu poderia, tu és grande demais para que te faça frágil.

É certo que agora o caminho aos olhos pareça turvo, este é o sinal que lhe dou, de que o mistério é oportuno e não há que ser tudo às claras, vê? Encorajo-te a permanecer sentindo, mesmo que pese, mesmo que embrulhe o estômago e os olhos fiquem cheios de ciscos.

Encorajo-te a ser, jamais deixe-te ir para tão longe, como da última vez.



comentários pelo facebook:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...