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COMO PODE TUDO (NÃO) MUDAR?

Eu tenho a feliz mania de me permitir chover ideias, mas o triste hábito de deixá-las evaporar. A mente fervilha de vontades, a determinação corre nas veias por alguns segundos – horas até – mas depois eu deixo minguar. Me falta o foco. Quando me vejo no espelho, as vezes nua outras nem tanto, encaro meus olhos de mel arteiros e fico séria, repetindo mil vezes: foco, foco, foco, foco, foco. Finco o pé, meto um salto, alongo os cílios e (pre-pa-ra!) saio poderosa, decidida, determinada, pronta para pôr em prática todos os trinta e um projetos que tinha desenhado enquanto tomava um demorado banho.

Aí passa uma borboletinha. Aí a lua me rouba o fôlego, quando beija o mar. Aí que o Facebook está interessante e tem conversas boas rolando, gente de sotaque conversando, um amor me chamando para jantar ou inventar alguma das peripécias na cozinha, uns amigos esperando com doses de whisky e picanha malpassada enquanto rola uns amassos de brutamontes na tevê. E então me distraio, caio na vida, abraço a rotina, mas fica sempre aquele sufoco, aquela agonia, aquele zumbido de ideias me cutucando.

Eu tento forçar a dizer que “amanhã eu faço”, mas meu amanhã já passou tem muito tempo e o futuro já bateu na minha porta e os meses estão ficando cada vez mais escassos. Antes eu tinha um ano para cair com garra na academia, agora me restam pouco mais de dois meses... fora os livros que estão estacionados, o livro que anda abandonado, alguns amigos que não visito e etc., etc., etc.;

De fato, rompi (um pouco) a bolha. Sacudi a poeira ao invés de só me encarar e repetir foco, foco, foco, foco. Eu escrevi algo sobre isso já, lembram? E ficou só no papel. Talvez assumir minha preguiça eterna seja uma forma de criar vergonha na cara. Quando a casa se torna pública, a gente tende a deixar de esconder sujeira embaixo do tapete.

Ademais (como eu queria usar essa palavra hoje), veremos. Novos dias virão com suas distrações, nublados e chuvosos e frios — força e fé.


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