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É UMA VIA DE MÃO DUPLA


Vou te dizer o que penso, embora talvez isso nem importe. Eu costumo ficar muito fatigada de certas coisas e você nem desconfia. Tem horas que cansa, sabe? A gente senta e escuta, a gente abre um espacinho no meio da agenda, no meio do trabalho, no meio da vida só para mandar um alô, perguntar se está tudo bem, se precisa de alguma coisa, se está precisando de alguém para ajudar o tempo a passar... Mas e o contrário? E quando sou eu quem peço para ajudar meu tempo a passar? E quando sou eu quem preciso de alguma coisa?

Simplesmente não vem.

Se eu não apareço, você não aparece... Que tipo de amizade é essa? Se eu não ligo, você não liga e, quando o faz, é para falar do próprio ego, é para inflar a necessidade de querer aparecer. Você é cheia de eu, eu, eu, eu e quase nunca pergunta "você". Quantas e quantas vezes pedi opinião que você enrolou e não deu? Quantas e quantas vezes você implora por um ibope que você também não dá?

Eu fico frustrada, chateada e me sentindo boba. Me sentindo usada. E não há sentimento pior no mundo do que esse sentimento fraco e obscuro de se sentir usada, se sentir trouxa. Deveria ter um nome bem cabuloso para um sentimento que é a mistura desses todos e, na falta dele, eu digo apenas um: decepção.

E é triste demais da conta se decepcionar com as pessoas. Acho que a vida, a amizade, os amores têm que ser uma via de mão dupla. Tem que ter troca. Se não, cansa.

E eu estou cansando.


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