SOBRE A AUTOESTIMA QUE ENSINARAM-ME A TER

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16 de abril de 2018

Leia ao som de Be mine

Em alguns dias da semana as coisas parecem mais fáceis, né? Tipo a sexta-feira. Mano, como eu amo esse dia. Quase fim de semana, tudo bem que o fim de semana é corrido pra caramba em algumas ocasiões, mas geralmente no trabalho a gente já adiantou as coisas pra não ter muito pra fazer. São quatro horas e eu já estou pensando na praia. Por que a gente não vive todos os dias com a alegria da sexta?

Com toda a certeza, posso dizer que por muito tempo eu não gostei de segundas. A chuva traz o clima que menos gosto e uma segunda com chuva é o pior dia do ano. Era. Provavelmente você acha que vou fazer uma defesa meia boca em prol da segunda e depois disso vai se perguntar: como eu ainda leio o que ela escreve? Mas digo que não. Minha intenção é apenas contar o dia em que descobri como realmente devo ser.

Sou o tipo de garota que achava que, para ser feliz, deveria ter alguém ao meu lado o tempo todo. Passei mais de ano sozinha bradando para todo mundo que eu estava bem só, mas no fundo eu queria era um namorado. Chega a ser engraçado lembrar disso. Sabe aquela famosa frase: "faça o que eu digo, não faça o que faço"? Funcionava perfeitamente pra mim. Não é que eu estava fazendo algo que prejudicava outra pessoa, só estava matando a mim própria.

Um dia, quando um monte de coisas começaram a dar certo – passei no vestibular, começaram a reconhecer coisas que escrevo, etc – eu parei, ao poucos, de pensar que a minha felicidade dependia de outra pessoa. Poxa, quanta coisa eu consigo fazer bem sozinha? Acho que a ficha foi caindo, como minhas roupas antes do banho. Texto por texto, vitória por vitória, comecei a descobrir uma ‘eu’ que estava engavetada.

Em uma segunda-feira dessas, estava chovendo pra caramba e eu precisava tomar banho às cinco horas da manhã antes de ir para a escola. Acordei com aquela cara de ressaca do fim de semana, peguei a primeira roupa que apareceu e sai correndo pro banheiro. Enquanto me despia senti um frio que quase congelou minha alma. A janela estava aberta e eu pude ver as gotas caindo no lado de fora. Antes de pensar em me aborrecer porque teria que sair e me molhar, algo me fez parar. Continuei a observar a cena e fui lembrando dos últimos acontecimentos.

Inevitável não lembrar da última boca que beijei e pensar que não era meu namorado e que nem sequer eu pensava que seria. Pela primeira vez, os momentos felizes eram quase todos só meus – alguns envolviam meus amigos mais próximos e a família – e eu ri. Dei uma gargalhada tão alta que minha mãe chegou a se assustar. Entrei no chuveiro e deixei a janela aberta – mas não se preocupe, ela é alta o bastante para que ninguém conseguisse enxergar o que não devia. A mistura do som da água que caia lá fora, o vento que entrava pela janela e as lembranças que invadiam minha mente tornou segunda-feira meu dia favorito.

Ver as coisas com outro olhar é algo fenomenal. Mas, só de vez em quando, vale a resgatar aqueles óculos cor-de-rosa que usávamos quando tínhamos oito anos e olhar com sinceridade pra aquilo que queremos e que nos faz realmente feliz. Não digo que estar com alguém é ruim, de forma alguma, mas se amar vale muito. Só podemos dividir com o outro aquilo que está inteiro.

Seja inteiro – e feliz com isso – antes de se dividir com alguém.



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