URGÊNCIAS MINHAS

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24 de abril de 2018


'tô devorando Caio com uma urgência desconhecida. N'outra época devorei também, mas não com tanto afinco. Hei, calma. É só literatura. 'tô falando do Caio Fernando, sabe? Fico numa transição frenética entre textos e frases, frases e trechos. Acho bonito que, mesmo sem os devidos créditos, sei reconhecer quando o trecho é dele. Dele quem? Do Caio. Do Caio F. 'tô meio precisada dessas leituras que me transformam do lado de dentro. Tem algo nas linhas do moço que me revira inteirinha do avesso, sabe lá como. É a forma, acho. Das linhas. Das letras. Das frases. O jeito como as coisas se juntam, a maneira como tudo fica numa coisa só, como tudo se transforma numa coisa só. Vezenquando. Falta contexto às vezes. 'tô lendo e relendo para entrar nas entrelinhas e respirar o significado de tudo. Parece que 'tá meio inconclusivo, mesmo percebendo o ponto final. Ou 'tá concluído demais, apesar das entrelinhas, apesar das reticências.

Sei que pareço um tanto louca falando desse jeito, meio sem eira nem beira, mas de um tempo pra cá vem acontecendo muito disso. Sei lá, ando com urgência de escrever linhas tortas para manter um fiapo de sanidade nesse canto minguado. Outrora parecia que escrevia tão mais (e melhor). Então devoro Caio, devoro Jaya, devoro Bukowski e Gabito — ainda que trechos de textos apenas — só pra ver consigo conectar as palavras que voam soltas e dispersas, tentando (em vão) fazer sentido. Busco a inspiração que perdi na rotina enquanto atravessava os dias sem nem perceber.

Vezenquando 'tô vasculhando o baú da saudade, tirando a poeira das minhas próprias entrelinhas. Andei me relendo esses dias e aí bateu essa vontade louca de procurar as linhas do Caio, para ver se me encontro outra vez, para ver se volto a pulsar do lado de fora. Sei lá, urgência minha. Acho que é culpa desse ano que mal chegou e já voa. A semana mal começou e já está tão cheinha de coisas que sexta-feira já bate na porta, pedindo licença, mesmo eu assoprando-a longe e gritando: mas já? não, não, não, eu ainda tenho muita coisa pra fazer...

Se não me resta mais nada a fazer para atrasar o relógio da vida, eu desejo pra mim (e pra todo mundo) que essa semana bandida seja doce. Que esse ano, tão urgente, seja escandalosamente doce. Que esses meses, poucos, sejam leves. E que a ansiedade pelos meses que vêm — já tão cheio de novidades — não nos mate...

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