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SIM, USE E ABUSE DA POSSE


Não lembro bem o que estava fazendo quando parei para refletir sobre os pronomes possessivos. O meu. O minha. Não de uma forma genérica e geral, mas o pronome que antecede o amor, linda, paixão e qualquer outro adjetivo carinhoso utilizado por casais apaixonados ou amigos (eu, pelo menos, chamo algumas pessoas de ‘minha linda’).

Era isso.

Eu estava respondendo à algum comentário e ia usando o ‘minha linda’ quando percebi que era íntimo demais. Apaguei o ‘minha’ e deixei só o linda. Obrigada, linda ao invés de Obrigada, minha linda. Parece pouco, eu sei, mas tem um peso muito maior, vê?

Isso me levou a refletir sobre os pronomes possessivos e em como eles trazem infinitamente mais peso e carinho para um adjetivo bonitinho. Fiquei ponderando nos relacionamentos (por que tudo sempre migra para os relacionamentos?), quando no início tudo é meu, minha.


Meu chuchuzinho lindo;
Meu amor docinho mais doce que o doce de batata doce;
Meu pitiquininho;
Minha princesinha bonitinha cutecute;
Minha rainha... 

E desculpas se me empolguei. Fora o meu amor e minha linda.

No contexto, na frase, na colocação, sempre que o pronome antecede o adjetivo parece que transborda carinho. Ainda que em situações de brigas e estresse elevadíssimos (porque, convenhamos, nenhum relacionamento é um mar de rosas todo tempo), o meu/minha dão leveza.


Ô meu amor, já pedi para não deixar a toalha molhada em cima da cama;
minha linda, não dava para ter passado no mercado e comprado pão?;
que saco! Meu amor, já não te pedi para não colocar a meia embolada para lavar?;
minha linda, vai ficar no computador a noite inteira?.

Sei lá, me peguei pensando nos pronomes de posse. Eu sei que “posse” é algo abominável na sociedade, que ninguém é dono de ninguém. Mas o meu/minha, nesses casos, parece ter outro significado, outra entonação. Sei lá, tô viajando? Tô viajando. Mas fiquei aqui cheia de vontade de por o meu/minha na frente de tudo.

Desculpas se exagerei meu leitor lindo.


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