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Amizade que colore


O amor pode nascer de forma inusitada, como flor que nasce do asfalto ou como as águas que surgem das rochas ou mesmo dos olhos. O amor pode até nascer do ódio, quanto mais de um sentimento platônico que toda amizade é. Um relacionamento em preto em branco, por ser antigo, que aos poucos ganha cor e vivacidade, um abrir de olhos ao enxergar que o que sempre procurou estava ali o tempo todo, debaixo do próprio nariz.

Os outros já insinuavam que éramos um casal, mas eu estava cega ou enxergava, mas era difícil dar o braço a torcer, por orgulho mesmo. Eu, que sempre defendi amizade homem/mulher, tinha agora discurso abalado. Era uma hipócrita e sentia dor física quando me apresentava como amiga.

Conversávamos sobre tudo e me machucava te ver com outra, quando eu já era sua sem que o soubesse. Por vezes quis dizer e por vezes disse com os olhos. Todas as piadas internas, as conversas fluidas e o conforto que só a intimidade traz. Compartilhávamos tudo! Menos a verdade, porque se declarar é um ato de coragem que nunca tive.

E por omissão sentia que o traía como amiga. No fundo também me sentia um pouco ingrata. Você já me dava tanto e eu não me contentava. Eu encontrei em você parte de mim que quis mais. Eu quis ser mais que colega, mais que um membro do grupo. Quis ser par, porque 1+1 são facilmente dois. Era muito a ganhar. Muito a perder. 

E se não fosse correspondido?

Eu só queria te fazer feliz e cheguei a pensar que não fosse boa o suficiente. Mas como num estalo de corpos concluí que pudesse preencher seus dias tal como preenchia os meus. Nos sonhos eu era sua amante clandestina. Nos dias, uma amiga tola. Tentei seguir em frente, mas é difícil continuar procurando o amor quando já o encontrei.

Eu te amo, resolvi dizer.

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