COPO VAZIO

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10 de maio de 2018


A mudança está na fluidez. E a gente só consegue que as coisas fluam no vazio. Fingir felicidade o tempo inteiro é irreal e até meio pedante. Quando se força a preencher lacunas de si mesmo, seja pela necessidade de manter fachadas, seja com relacionamentos por pura conveniência, as lacunas tendem a se expandir com o tempo.

Sempre achei palhaço um pouco triste e carnaval igual a palhaço. O corpo quente de euforia é incapaz de sentir dor, mas quando ele esfria...ah, a dor vem sem cerimônia como quem já é de casa. Nem sempre estar triste é sinal de que tomou a decisão errada. Às vezes é necessário abrir mão de felicidade rasa por outra duradoura.

É como o velho equilíbrio entre segurança e liberdade. Para que se mantenha a fluidez, é também necessário que a gente diga o que está sentindo. Eu sei, esta deve ter sido a frase mais dissimulada que eu já disse, mas como escritora eu entendo o valor das palavras.

Penso, logo sou hipócrita.

O que não foi dito vai se acumulando, assim como os traumas passados que a gente tem mania de colecionar feito figurinha. O cheio só impede o fluxo. A convivência vai se tornando difícil com os anos e tendemos a atribuir responsabilidade a quem não nos deve nada. O nosso vazio tem nome. O nome é o nosso mesmo, não coloque este peso em outra pessoa.

Encarar um copo vazio é sempre difícil, seja o metafórico, seja o da mesa do bar. Ainda assim, é necessário que o faça. E quando me perguntarem: copo meio cheio ou meio vazio?

Copo vazio.

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