ENTREMUROS

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30 de maio de 2018


Entre nós dois há muito mais do que os outros veem. Há, inclusive, muito mais do que falamos. Há amor, ódio, carência, dor, desespero. Ansiamos um pelo outro como o dia anseia pela noite. Não nos fazemos bem, mas não conseguimos ficar separados. 

Queremos tanto que nos tornamos viciados. Viciados no outro, na projeção de nós mesmos. Dormimos juntos e acordamos com ressaca. Nos embriagamos de nós. Choramos, sofremos e começamos tudo de novo.

Não mais, agora chega. Chega dessa relação doentia. De querer ser quem não sou, de me perder totalmente em você e não conseguir me encontrar. Dessa batalha não sairemos vivos, então prefiro sair enquanto há tempo. Ferida, mas viva.

Despedaçada, mas com a certeza de que viver é mais do que uma sucessão de “se”. É um existir de verdade. Portanto, adeus meu amor. Nosso fim chegou. Não será fácil, mas com o tempo poderemos pegar os caquinhos e construir um novo castelo. Um em que os pedaços de vidro não me cortem, mas mostrem o quão bela eu sou. Entre nós dois há muito mais do que os outros veem. Agora, existo sozinha.



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