HOJE EU PRECISO SER UMA ILHA

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24 de maio de 2018


Que me perdoe Donne, mas hoje eu preciso ser uma ilha e me render à solidão como quem se rende ao sono. Hoje eu acordei sem querer justificar minhas lágrimas ou mesmo os meus sorrisos de desespero. A dor veio sem disfarces e o isolamento é remédio de quem nunca quis ser só.

Serei antissocial sem me preocupar com as olheiras ou com o esquecimento. Todo mundo está fadado a ele mesmo. Eu me recolho e não é por sua causa, é porque eu não consigo mais sofrer. Você não foi só um. Você foi mais um. Foi a junção de todos eles. Daqueles que partiram sem dar explicações. Tem na bagagem um tempo perdido e no fundo um forro verde, esperança que por hora foi minha. E eu me pergunto: quem mais tem que ir embora? 

 Quando a pessoa não se compromete é porque espera algo melhor aparecer. E talvez eu não tenha sido o melhor, dói admitir. O choro feriu o meu orgulho e eu sou incapaz de encarar o espelho de frente. Eu havia esquecido que na arte da guerra sempre há perda e que todo amor tem um pouco de guerra.

Ouvi dizer que a gente tem que se permitir a sentir dor, se quiser sentir as outras coisas. Também é preciso entender o propósito das bolas de sabão, que encantam antes de desaparecerem. E aprender a lidar com a falta como quem lida com a vitória, com a modéstia de quem reconhece em si e no outro a beleza do finito.

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