NÃO É HORA DE RETROCEDER

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25 de maio de 2018


Já imaginei uma adaga entrando no meu coração, tenho certeza que doeria menos do que aquela dor que eu sentia por tê-la perdido. Ao menos, seria mais rápido. A adaga furaria, o sangue acabaria, e depois não haveria mais nada do que sentir.

Não foi só uma vez. Nem só duas. Era o dia inteiro pensando em como seria melhor se algum objeto pontudo perfurasse meu peito e isso fosse a solução de tudo.

Daquela vez parecia mais ainda que eu não ia suportar. Que morreria, finalmente, de amor. Pobre eu, na inocência de acreditar que ainda (ou algum dia), se morre por amor. Morre-se por falta dele. Por ausência de ter do lado quem se ama. Por demasiado sentir. Por desesperos. E eu estava desesperado para acabar com tudo, no entanto, não havia sequer um sinal de que eu pudesse desistir da vida, só na minha cabeça. Só na minha imaginação. Queria acreditar que ia melhorar. E queria também saber o tempo que ia levar.

Depois de um tempo, essa vontade sumiu, essa coisa de furar meu coração, sabe? Ele já estava machucado demais, para que eu quisesse, simplesmente, fazê-lo parar de sentir. Pulsar. Estourar.

Hoje, lembrei da lança. Por um furtivo minuto, a quis.

Segui sentindo o pulsar desesperado por esquecer a dor, apenas.

E esquecer, é anular tudo o que aprendi até agora.
Não é hora de retroceder.

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