NÃO ERA AMOR, ERA AFINIDADE MUSICAL

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3 de maio de 2018


Por gostar das mesmas bandas, a gente se esbarrava nos locais de sempre, tinha muitos amigos em comum, um estilo de vestir e um tipo de humor bem parecidos. Não era destino. Não era amor. Era afinidade musical. Impossível não rolar aquela identificação imediata quando você se depara com alguém que tem as mesmas referências e cantarola melodias das quais você não se cansa de ouvir.



E identificação atrai, por mais que as leis da física tentem negar. A gente quase chega a ouvir o tocar dos sinos e o beijo é harmônico como o encontro de duas notas musicais. Eu sempre tive essa mania estranha de associar música a amor e pessoas a determinadas músicas. Já deixei de ouvir muita banda boa pra esquecer alguém e fiquei irritada ao escutar minha playlist favorita e me lembrar daquela pessoa e não de mim mesma.

Admito, já criei trilha sonora para relacionamentos nitidamente fadados ao fracasso e já imaginei algumas partes da música sendo partes da minha história. Gostar das mesmas coisas não é garantia de nada, nem o amor é, quando se falta empenho. Trechos de música podem ajudar a construir a personalidade, mas elas são apenas uma fração do todo.

O coração não tem ouvidos, o meu roqueiro já gostou de coração sertanejo antes e me fez ouvir muito pagode no período de fossa; já até me fez correr atrás do trio depois de um pé na bunda e dançar muito funk pra espairecer. O coração é assim, eclético, ainda que você não seja. 

E encobrir comportamento de quem não lhe fez bem só para ter a marcha nupcial pré-definida, soa ridículo. Solos de guitarra não vão me conquistar, eu vou bater nesta tecla. Nem toda música é Faroeste Caboclo. Três minutos muito pouco pra quem quer felicidade.



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