NO AMOR E NA GUERRA

|

24 de maio de 2018


Se for para me amar, apenas me ame! E eu não pediria que ele se doasse mais, talvez além do que seu entendimento sobre o amor lhe permitisse. Sem cobranças, sem limites, sem exageros, foi assim que nos encontramos, não seria justo exigir de mim muito além disso, ele me conheceu assim, livre, bicho solto, dona de mim. O que poderia pedir agora é que ficasse! E se fosse ficar aqui, que não fosse somente por mim, nem por ele mesmo, mas pelo que somos juntos. Será que a gente consegue pensar em nós dois? Será que amadurecemos o suficiente para não sermos egoístas como nossos sentimentos?

Mas aí ficou a promessa, ficaram os medos e nossos defeitos foram sobrepondo o que nos mantinha tão perto. E essa mistura incerta de amor e pé no chão nos fizeram mais ariscos, talvez até insensíveis. Quando o vi aquele dia, não hesitei em abraçá-lo e com seu corpo envolvido no meu, eu disse para esquecer as diferenças: o que interessava naquele momento era nossa troca de olhares e o calor que nos envolvia.

Sem muitas reações eu senti sua entrega, eu realmente o sentia ali comigo, não iria a lugar algum. Me faltou o ar, mas respirei fundo e sem entender o que eu ia fazer disparei a falar: “- Se for chorar, então chore, grite se for preciso, chame meu nome, e eu estarei perto em questão de segundos. Se for falar, me diga aquilo que seu coração quiser dizer, serei toda ouvidos. Mas se for partir, se for mesmo, então vá sem olhar para trás.”

E ele se foi, nem sei muito bem se arriscou a pensar na partida, se aquele adeus foi premeditado, se doeu olhar em meus olhos e sair pela porta sem olhar para trás. Ainda não sei dizer se alguma coisa ali dentro do peito dele foi atingido, sabe aquela sensação de aperto? Eu tive aquela sensação! Mas eu disse para mim mesma que iria sobreviver, assim como havia sobrevivido a outras situações drásticas da vida.

Continuo bicho solto, continuo dona de mim, só que agora com uma certa dor que ainda não passou, um engasgo na voz quando falam dele. Eu ainda o amo, isso é fato, e preciso aceitar que o sentimento ainda vive aqui dentro de mim, mas estou deixando de alimentá-lo, pouco a pouco ele é desnutrido.

Feridas se fecham com o tempo, a gente só precisa entender o tempo de cada uma. Eu abri meu coração, sem medo de me entregar, ele foi atingido, sem problemas, voltei para a trincheira e esperei o socorro médico. Assim como soldados famintos pela vitória da batalha, a gente volta a campo na esperança de vencer.

No amor não é diferente, se perde a batalha, mas nunca a vontade de vencer a guerra.

comentários pelo facebook:

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...