PULSAR ADEUS NUNCA FOI TÃO BOM

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18 de maio de 2018


Acendi um cigarro e pedi mais uma dose de Bourbon com gelo. Permaneci atenta aos transeuntes que, de tão estranhos, pareciam fazer parte mim. Em silêncio observei o que acontecia ali dentro daquele lugar sombrio, que ficava a meia luz e ao som de um rock inaudível. Meu estômago estava descompassado, havia dias que eu passava a fumaça e álcool. As guitarras pareciam me ensurdecer. E por ora, aquele lugar era o que tinha de mais próximo para chamar de lar.

Busquei na lembrança a última mensagem que você mandou, que para minha sorte, eu já não lembrava mais. Tentei recordar o carinho que me dava e lamentavelmente isso me soava tão distante e tão utópico, que deixei que os segundos se arrastassem sem me forçar a te encontrar sorrindo aqui dentro. Por último, tentei buscar o tom da sua voz – só houve silêncio.

Devagar, mas sem parar, a música parecia se acalmar. De rock para jazz. As batidas eram mais harmoniosas com a paz que foi se instaurando segundo a segundo. O cigarro acabou. Dei o último gole no Bourbon. Tinha um guardanapo usado na mesa, tirei a caneta da bolsa e como de costume tendi a escrever ‘Amor’, mas ao invés disso saiu ‘Adeus’.

Uma luz fraca foi ganhando força e, tão sutil como encontrar a entrada daquele estabelecimento, foi encontrar a saída. Não tão prazeroso. Nem fácil, mas a porta que anunciava que era por ali que eu poderia ir embora era tão mais bonita quanto por onde entrei.

Era noite, num beco sem saída, caía umas gotas de chuva – que soavam como acalento de voltar, finalmente, para casa.

Apesar da demora.
Pulsar adeus nunca foi tão bom.


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