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um diálogo sobre o adeus


— Ei Lucas, como está?

— Tudo indo, cara.

— Que desânimo meu irmão, bora sair desse quarto, pegar uma praia, azarar umas mina. Afinal, de que vale ser solteiro e solitário?

— Eu liguei pra Carol, irmão.

— Ligou? Depois de tudo que tu aprontou com a mina, teve coragem de ligar?

— Sim, liguei, eu fui atrás, pedi desculpas, disse o quanto eu a amava. Até comprei flores, chocolate, preparei o sofá pra pipoca e filmes com versão estendida... Cortei o cabelo do jeito que ela gosta, pedi a comida do seu restaurante preferido, conferi na previsão do tempo se iria estar chovendo...

— Chuva?

— Sim, chuva. Ela ama esse tempo. Então eu desejei a chuva, desejei ela, desejei a gente. Uma lareira e um bocado de saudades para se matar...  Ajeitei a casa, tirei o pó dos móveis, deixei incensos espalhados por aí. Eu nunca acreditei na energia daquele troço, mas ela ama, e eu só queria impressioná-la. Conferi duas vezes se a sobremesa não tinha desmontado, ensaiei outras tantas, em frente ao espelho aquelas velhas frases surradas para dizer o quanto eu a amava, o quanto queria que tudo fosse diferente. Eu disse que seria diferente.

— E o que é que deu errado?

— Ela não apareceu.

— Ah, cara! Se você a ama é só insistir mais uma vez, às vezes ela teve um imprevisto.

— Não, você não entendeu. As minhas insistências vieram quando ela já não estava mais disposta a me esperar. Eu a amo, mas descobri isso tarde demais.

— Como que você sabe que é tarde demais?

— Porque ela me mandou essa mensagem: "O amor é casado com a urgência, não deixe que o orgulho, a mágoa ou o tempo, ative as suas defesas. Ame, perdoe, e principalmente: DEIXE O OUTRO SABER! Talvez o momento que você decidir voltar, o seu passado poderá estar nos braços de um outro alguém. Desculpa, Lu, mas você demorou demais pra me deixar saber, eu já segui em frente. Torço pra que você consiga o mesmo... Ela sempre foi a minha cúmplice, minha confidente, meu apoio e também o final do meu juízo. Era mais do que pele, química e hormônios. Ela era a calmaria em dias terríveis, o calor que espantava o frio, e conversas boas de se ter. Sabe o que eu fui pra ela?

— O que?

Apenas o cara que quebrou o seu coração.

— Eu sinto muito, irmão.

— Eu também sinto, irmão, eu também sinto...


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