UM DIÁLOGO SOBRE SAUDADE

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22 de maio de 2018


O dia estava cinza e o céu começava a reclamar. De suas lamentações brotavam algumas lágrimas gélidas e isso me deixava um pouco nostálgico. Fui tentar conversar com a saudade, já que ela se aconchegou na rede e parecia dali não querer mais sair.

— Ei velha amiga! Por que é que você está tão melindrosa?

— Você me pergunta como se não conhecesse a resposta.

O mesmo drama de sempre, Saudade?

— Quem está de fora nunca entenderá o quanto dói ser lembrada apenas quando nada mais dá para se fazer.

— De onde é que você tirou essa ideia tão absurda, garota? Não é assim e você sabe.

— E seria como? Me diz? Pra você é fácil, você desfila por aí causando confusão e a bagunça sobra toda para que eu arrume. A diferença é que só me chamam para o fim da festa.

— Quando um momento se acaba, é a você que eles clamam, Saudade. Quando casais brigam, é você que mostra que estar junto será sempre melhor do que separados. Quando chega a quinta-feira, é sobre você que as redes sociais ficam falando naqueles tais #TBT. Até dia próprio você tem para ser celebrada. Sério que ainda pensa que é a última a ser convidada para a festa?

— Tudo seria perfeito se você não existisse. Eu iria eternizar momentos, rebobinaria cenas quantas vezes fosse necessário. Eu não seria celebrada por algo que se findou, mas sim por algo que nunca teria fim.

— Você sabe por que você é tão valiosa, Saudade?

— Por quê?

Porque eu sou o tempo e minha obrigação é passar, mas é em você que todos os segundos se filtram, seja na festa perfeita, na briga que findou uma amizade, em um porre pós-separação. É na essência dos meus momentos que você eterniza e para sempre deixa sua marca nas pessoas. Eu sou o tempo e sempre estarei a passar, mas quando eles quiserem todos os momentos que outrora aconteceram, é de você que eles irão lembrar...

(...)
O peso de uma saudade pesa mais do que uma tonelada. Ela nasce no coração e toda vez que tenta partir, rasga um pedaço da nossa história para nunca se sentir só. E com isso nos tornamos metade de tudo que um dia vivemos agarrados na esperança de, novamente, tudo poder voltarmos a viver.


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