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Depois que soltou minha mão

Leia ao som de Dancing On My Own

É a quinta vez que essa música toca.

Provavelmente é a sétima, mas eu só contei até cinco porque comecei a lembrar de um monte de coisas. Lembrei de ti. Lembrei de nós e daquela praça. Fazia tempo que eu não lembrava da nossa história... Veja bem, não é que eu não quisesse lembrar, eu só não parei para pensar no que passou. Eu e você. Nós. Aquele monte de histórias e viagens para ver o pôr do sol na praia.

Tem alguma coisa pinicando aqui dentro. Já é a oitava vez que a música toca. Não é a nossa música, mas hoje ela me fez lembrar de nós – ou do que fomos.

Chega a ser engraçado quando começo a reviver nossas primeiras conversas na cabeça. Dizem por aí que homens e mulheres não conseguem ser amigos sem se apaixonarem. Eu discordo. Mas concordo que nós fomos parte dessa estatística louca que criaram. Tua amizade foi algo significativo pra mim. Nosso nós também.

Um dia me perguntaram o que eu via em ti e não precisei pensar muito pra dizer que era o jeito que tu me fazia ser menina e mulher ao mesmo tempo. Tua pouca idade refletia naquilo que eu achava que era ser adulta e me quebrava ao meio. Teus olhos verdes me desconcertavam.

Lembra daquela vez que eu quase fui atropelada enquanto atravessávamos a avenida de bicicleta naquela tarde de terça? Ou daquele nosso beijo na beira do lago no dia em que choveu – que desgraça ficou meu cabelo – durante o caminho pra casa? Essas são as lembranças que ficam ao redor do quadro que eu fiz com o nome dos nossos três filhos – Mariana, Théo e Pedro – e pendurei na parede da sala.

Teríamos almofadas de todas as bandas possíveis. Começaríamos a compra-las no mês seguinte, não é? Eu comprei. Comprei algumas mais caso o cachorro que teríamos entrasse em casa e abocanhasse uma delas... Ainda termos a coleção completa. Tenho a coleção dos dias que vivemos juntos. Ela jamais vai ser substituída por outra história.

Nosso fim foi repentino. Eu trabalhava no escritório e não deu tempo de terminar a frase antes do ponto final. Ficou meio borrado. Mesmo assim, não culpei os Anjos, os Santos, muito menos Deus por não me dar o que eu queria. Você. Chorei e agradeci pelo tempo que estive nos teus braços, sentindo teu coração bater no mesmo ritmo acelerado que o meu. Uma vez escrevi que a melhor sensação era deitar no teu colo. Tive vergonha quando me lembraram disso esses dias, mas foi real. Era a melhor sensação do mundo.

É a décima vez que a música toca.

Meus lábios meio cerrados denunciam um sorriso. É bom saber que alguma história foi bonita. A nossa foi, meu bem. A nossa foi.

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