ELE NÃO VEM

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8 de junho de 2018


Ela chegou sozinha. Olhos cabisbaixos. Notoriamente ganhou alguns quilos. Subiu o ligeiro degrau entre a varanda e a cozinha com uma dificuldade imensa, como quem carrega a dor de uma saudade.

Falava pouco, parecendo preferir a companhia do silêncio e uma vida agarrada aos seus pensamentos. As manias e dificuldades dele, agora pareciam dela. A mão tremendo ao pegar no talher, o chão repleto de migalhas ao fim das refeições. Mas ela continua querendo o abrigo do café preto quando finaliza o salgado.

As risadas das piadas repetidas incansavelmente já não faziam mais parte há algum tempo. E há um bom tempo também os passarinhos não são espantados com foguetes.

Ela sabe que ele não vem mais. E parece ficar na espera dela não precisar vir também.

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