O QUE PODEMOS APRENDER COM AS BOLAS DE SABÃO

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14 de junho de 2018


Com o olhar perdido de quem acabou de acordar, me deparei com bolas de sabão como quem se depara com o acaso. Meu olhar era ainda de pureza infantil, de quem aos poucos abre os olhos para conhecer o mundo. As bolas preenchidas por um sopro de vontade lembravam-me da sensação que o livre-arbítrio traz.

Eram nada mais que pequenos suspiros ao vento, que se multiplicavam e percorriam por todo o espaço, dizendo, a nós, que viver é explorar. As diferentes formas e tamanhos assemelhavam-se às diversidades humanas e, ao olhar através das bolas, enxergava outras cores e perspectivas, como quem enxerga com empatia a visão de mundo do que era, até então, apenas o outro.

Chegando mais perto ainda, conseguia ver quase que um reflexo meu, que se desfazia quando eu tentava tocá-lo. Aquelas bolas, pequenos pedaços de nada, eram também os meus vazios, aqueles mesmos com os quais eu havia aprendido a conviver.

As bolas só voavam por serem leves demais e eu caminhava na tentativa de adquirir tal leveza, a ponto de encarar a falta como quem encara a própria existência. A beleza das coisas simples sempre me foi inegável e a fragilidade das bolas de sabão não era menos bela.

Fragilidade era também resiliência, quando lutar contra o vento se mostrava inútil. As bolas estouravam no ar, lembrando-me da importância de aceitar a finitude. O esquecimento fazia parte da essência de quem foi feito de água e sabão, sangue e carne. O caminho da vida é o mesmo da morte, já nos alertava a brincadeira na infância.

Ser bola de sabão é exercer a liberdade e viver é senão se desconstruir. Findar-se.


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