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O último adeus


Interfone toca... Era o bom e amado senhor Jaime, o porteiro de meu prédio.

— Dona Gabriela tem um moço querendo lhe falar... Ele carrega um buquê de flores amarelas e jura que um dia a senhora já o amou. Posso autorizar ele subir?

—  Autorizado.

Toc... Toc... Toc...

—  Boa tarde Gabi. Tens um minuto para mim?

— De tanto me esforçar para ser cobiça para seus olhos, de ter que pedir um pouco de atenção e até mesmo de lutar para ter um lugar em seu mundo, voltei pra casa novamente exausta

(...) E no meio da calmaria de meus dias sem você, me deparei com uma casa abarrotada de sentimentos, esses que outrora eu havia deixado empoeirado e pendurados na cadeira de balanço... E ao abrir as cortinas e permitir que o sol adentrasse em meu coração pude perceber que fiquei tanto tempo tentando que me notasse, que mal percebi que quem estava com os olhos vedados era apenas eu. E ao me deparar com seu desdém me aconcheguei nos braços dos meus próprios desejos. Resultado? Notei pela 1° vez que ao bater a sua porta em minha cara eu tive que abrir a janela para que não morresse sufocada. E a ventania entrou casa a dentro deixando tudo fora do lugar, mas, apesar de toda a a bagunça que me rodeava, eu me senti completa. E a sua falta? Foi preenchida pela bagunça da minha nova rotina carregada de sabores diferentes, beijos ardentes, abraços sem prazo de validade, encontros com o acaso... Em meio ao turbilhão de novos sentimentos que tem me rondado, sinto lhe informar, mas nenhum é mais sobre você. Obrigada pelas flores, mas não temos absolutamente nada mais a conversar...

A porta se fecha. O porteiro é avisado que aquela pessoa não tem mais autorização de subir, nem para sua casa e tão pouco para o seu coração.


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