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Percebi que não precisava me despedir



Lembra-se daquela noite em que saí do bar e me entreguei a chuva? Aquela noite em que um novo caminho aparecia em minha frente? Pois, então. Não sei muito bem por onde começar, mas caminhei até que o sol nascesse. Perambulando pelas ruas vazias, notei que algo crescia dentro do meu peito.

Acendi um cigarro, meus lábios recusaram, apaguei e joguei-o fora. Aquela era a representação mais clara do mal que você fazia aqui dentro. Traguei você inúmeras vezes. Causei fumaça ao meu pulmão, por sua ausência intragável. Bebi mais álcool que um posto de combustível pode vender em suas bombas. Era tudo indigesto. No bar, ao encontrar aquela saída, saiu também o aroma pesado de nicotina e Bourbon. Exalei.

Rompi-me de ti. Dos laços que já não existiam, há tanto tempo. E quando dei por mim, estava chegando perto de um jardim muito bonito. O sol começava a nascer, as flores tinham um cheiro de manhã, o orvalho as deixavam assim. Esperei que o sol chegasse, com sua sutileza. Com seu calor. Eu precisava de calor. Do calor do sol.

Fiquei algumas horas, experimentando aquela sensação. Foi assim que me senti pulsando paz. Foi assim, que percebi que já não precisava mais me despedir.

Foi assim que percebi os quilômetros que estava de distância do passado.
Que já nem existia.



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