QUANDO A SAUDADE EMBALA CAMINHOS - parte 02

|

1 de junho de 2018



As poucas horas foram embaladas pelas músicas que a faziam lembrar-se dele. Ela queria mantê-lo vivo em sua mente para não deixar que aquele pequeno surto de coragem fosse embora de acordo com os quilômetros rodados.

Há poucos meses atrás ela conseguiu seu endereço numa pequena aposta e teve que enviar-lhe um presente, portanto, ela sabia onde teria que ir. O presente era uma das peças que ela mais amava vê-lo vestindo. Na sua memória ele ainda ficava maravilhoso de branco.

Algumas poucas horas se passaram para que ela chegasse finalmente ao destino, não era tão longe assim, apesar da ansiedade ter feito parecer uma eternidade. Ele estava, agora, há poucos minutos dela, sem nem saber que ela estava por ali.

Pediu um Uber porque não seria mais capaz de aguentar o coração tão acelerado daquele jeito por muito tempo. No estômago as famosas borboletas para fazer jus ao momento clichê de reencontro, mas sem clichês não há romance.

Pouco tempo depois ela estava ali, em frente ao número 813 sem saber os próximos passos, tampouco as próximas palavras. Decidiu sentar e esperar o tanto que fosse, sem chamar, sem mandar mensagem, sem ligar, só esperando que o tempo agisse ao seu favor. Mas ela nunca foi amante de espera sem saber as horas certas, a ansiedade fez com que ela fosse intensa demais.

Puxou o celular do bolso e mandou uma breve mensagem “ei, eu to aqui na frente da tua casa...sim, aqui mesmo!” e, com a mesma rapidez, colocou o celular no modo avião para não ver a visualização da mensagem, muito menos a resposta que receberia. Ela só queria encontrá-lo logo.

Ela não sabe quantos minutos se passaram, estava perdida ensaiando os diálogos em sua mente que se esqueceu do relógio em seu pulso. E, quase que por um descuido, esqueceu-se de onde estava e quem estava por vir. Em um súbito momento balançou a cabeça como quem tenta apagar os pensamentos e o viu virando a esquina. Ele ainda parecia o mesmo.

Alguns quilos de diferença é verdade, o cabelo já não era mais o mesmo que ela enrolava nos dedos quando fazia cafuné, mas ainda assim permanecia daquela cor que ela amava, combinando perfeitamente com o tom dos olhos – aqueles olhos. O sorriso dele foi se abrindo à medida que ia chegando perto dela e ela, aos poucos, foi perdendo todas as palavras que havia ensaiado em sua mente.

Os fins são clichês demais, até mesmo para os romances. Os felizes para sempre foram tão vivenciados que perderam aquela graça do amor. Mas os amores não correspondidos foram tão surrados que já não fazem mais sentidos ao serem lidos.

E quanto aos dois? É que ele nunca foi amante dos filmes água com açúcar e não gostaria que esse final contemplasse aqueles romances, mas os dois se deram a chance de ser novamente o que jamais tinham conseguido ser anteriormente.

Os dois tentaram juntos, outra vez, ser um só.

comentários pelo facebook:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...