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A lembrança da fotografia que ela tirou


— Ei, menino! Sente-se aqui do lado do vô. Te acalme um pouco dessa pressa de ralar o joelho e perder a ponta do dedão. Olhe só para essa laranjeira, o vento vai bater e o perfume vai se espalhar. Shiu, escute e olhe, apenas.

— Mas vô, que papel é esse na tua mão?

— É uma fotografia, vê?

— Hum (pausa, porque ele colocou a mãozinha no queixo, como quem observa e faz uma descoberta), mas esse galhinho é o quê? A laranjeira criança?

— Eita, menino, que tu és engraçado. Mas é, é sim a laranjeira criança. É de quando a plantei. Essa foi a última foto que sua avó tirou. Ela que amava fotografias e laranjas. Me pediu que realizasse seu desejo de ter fruta no quintal de casa e ainda que posasse para as lentes dela. Sinto falta da sua avó.

— Já faz tanto tempo, vô. Queria tê-la conhecido.

Houve silêncio entre os dois. O menino apertava as mãos uma contra a outra, na tentativa de pensar em algo para alegrar o avô. O avô vidrou o olhar no balançar dos galhos, na busca por se lembrar do perfume de sua amada...

— Sabe, filho, todo dia sento aqui na varanda. No mesmo horário, porque o vento bate e espalha o aroma da laranjeira. É assim que me aproximo de tua avó, não me recordo mais do cheiro de amaciante floral que ela usava. Mas o fruto que é dela, permanece aqui florescendo, ano após ano. Lindo, como ela. Doce, como o abraço dela. E que não vai embora para sempre, como ela...

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