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Enjoy the silence

foto por: @chrisjoelcampbell | o quanto o silêncio é capaz de dizer

Ela adorava a música “Enjoy the Silence”, da banda inglesa Depeche Mode. Ouvia sempre, desde os anos 90. Segundo ela, são destes hits atemporais que sempre farão sucesso, que sempre farão sentido, não interessa em que canto do planeta você esteja, nem que língua você fale.

Ela sempre considerou o silêncio como algo sagrado, apreciado, necessário, vital, exatamente como a música prega, mas, de uns tempos pra cá, não é que o tal silêncio começou a incomodá-la demais?

E, de repente, o “Aprecie/Curta o Silêncio”, hino da banda britânica, parou de fazer sentido para ela. Como uma espada atravessada em seu peito, o silêncio começou a machucá-la, ferindo-a e a impedindo de respirar.

Não que ela não apreciasse o silêncio antes e toda a paz e serenidade que ele era capaz de trazer. Mas agora... Agora ele tinha uma conotação de fim, um desfecho meio fora de hora e lugar.

Quando ela está junto dele e tudo o que há é um silêncio absoluto, ela tem certeza de que não há mais nada a ser dito. Que tudo já foi falado. Que não são mais novidade uma para o outro. Que aquela intimidade tamanha que tinham deu lugar a uma estranheza formal... Viraram meros conhecidos mantendo uma convivência circunstancial. Um não cabe mais um no mundo do outro.

Ela passou a sentir falta das longas e intermináveis conversas, divertidos bate-papos, calorosas DR’s, enfim, de todos os diálogos que os aproximavam, que os colocavam no mesmo caminho, que davam sintonia e reciprocidade aos dois. Mas, quando tudo o que resta é um silêncio ensurdecedor, ela se pega tentando descobrir em que ponto exatamente do caminho eles começaram a seguir em direções opostas...

Não interessa onde foi exatamente, fato é que esse silêncio está lá, gritante, presente, predominante. Escancarado na frente dela, dizendo tudo o que ela talvez já soubesse, mas que por algum motivo tenha se recusado a escutar nos últimos tempos.

Aquele silêncio os denunciava, os traduzia, os despia.

E o que a incomoda mais neste silêncio, não é a falta de palavras, pelo contrário — é tudo o que este silêncio grita, cada palavra que ele soletra, em todas as línguas, idiomas e tons, claro como água, aos quatro cantos, para quem quiser ouvir: aquele silêncio anuncia em alto e bom som que eles já não são mais...

Por isso, Dave Gahan¹ que a perdoe, mas ela vai procurar outra música para ouvir a partir de agora, porque ela cansou de apreciar o silêncio! Palavras são necessárias sim e o que ela mais precisa agora é de muito barulho!



¹ vocalista da banda inglesa Depeche Mode

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